Em tom de ameaça, Bolsonaro diz que resolve decreto de armas e outros problemas em uma semana se reeleito

Presidente Jair Bolsonaro discursa em cerimônia no Palácio do Planalto

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) adotou um tom ameaçador nesta terça-feira ao comentar a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu decretos do presidente que flexibilizou a posse e o porte de armas, e disse que, se eleito, resolve esta e outras questões em no máximo uma semana após o pleito de outubro.

"Peço que quem está assistindo acredite em mim: acabando as eleições a gente resolve essa questão dos decretos em uma semana, porque todo mundo tem que jogar dentro das quatro linhas da Constituição", disse Bolsonaro durante entrevista à Jovem Pan.

"Acabando as eleições, eu sendo reeleito, a gente resolve esse problema e outros problemas. Pode ter certeza disso. Todos têm que jogar dentro das quatro linhas da nossa Constituição", acrescentou, sem entrar em detalhes sobre como resolveria o que chamou de problemas.

Na entrevista, o presidente voltou a repetir alegações falsas sobre o sistema eleitoral e indicou mais uma vez que pode não aceitar uma derrota nas urnas, mesmo que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acate todas as sugestões de mudanças no sistema feita por integrantes das Forças Armadas.

"Eleições limpas e transparentes não têm que ser questionadas em lugar nenhum. Ponto final", afirmou Bolsonaro, que, mais uma vez, fez questionamentos sem base sobre as urnas eletrônicas.

"O que me foi reportado é que, com as sugestões das Forças Armadas, caso acolhidas, se reduz a próximo de zero, a próximo de zero, a possibilidade de fraude. Próximo de zero não é zero", disse.

O presidente voltou a defender o voto impresso, proposta que foi derrotada no Congresso Nacional, e disse que só confia em sistemas eleitorais com voto em papel.

"Quanto eu confio de zero a dez (no sistema eleitoral brasileiro). Eu confio nas eleições dez no Paraguai, eu confio de dez na Colômbia, no Chile, na França, que é o voto no papel, aí eu confio dez. No resto, tem que ficar preocupado", afirmou.

Apesar das constantes alegações feitas com frequência por Bolsonaro, desde a adoção das urnas eletrônicas em 1996 nunca se comprovou uma fraude no sistema que, também ao contrário do que frequentemente afirma o presidente, é passível de auditoria.

Bolsonaro, que está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e com patamar de rejeição na casa de 50%, também aproveitou a entrevista para convocar para manifestações de rua no feriado de 7 de Setembro, e indicou que os questionamentos ao sistema eleitoral estarão entre as pautas do protesto.