Em tom de campanha, Bolsonaro volta a acusar fraude na eleição de 2018, sem provas

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Presidente Jair Bolsonaro em culto em Anápolis (Foto: Reprodução/TV Brasil)
Presidente Jair Bolsonaro em culto em Anápolis (Foto: Reprodução/TV Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro voltou a afirmar, sem apresentar provas, que foi vítima de fraude eleitoral em 2018. Ele alega que foi eleito no primeiro turno.

Em tom de campanha, em evento com religiosos, em Anápolis (GO), Bolsonaro insistiu que tem provas das fraudes, embora já tenha sido intimado pela Justiça a apresentar as tais provas e não tenha feito.

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"Eu fui eleito no primeiro turno. Eu tenho provas materiais disso, mas o sistema, a fraude que existiu sim, me jogou para o segundo turno", disse.

"Outras coisas aconteceram e eu só acabei ganhando porque tive muito voto e algumas poucas pessoas que entendiam de como evitar ou inibir que houvesse a fraude naquele momento", emendou ele.

O presidente também voltou a dizer que o Brasil é o país com a menor mortalidade por covid no mundo.

“E aí vem para os ‘finalmentes’. Talvez eu seja o único chefe de Estado no mundo que fala isso. Será o único certo, capitão? (…) Se nós retirarmos as possíveis fraudes, nós vamos ter em 2020, ou melhor, teremos 2020 sim, o país, o nosso país o Brasil, como aquele com o menor número de mortos por milhão de habitantes por causa da Covid”, afirmou.

“Tive acesso a dois acórdãos do TCU e dizia o TCU que a metodologia para enviar recurso aos estados, levando-se em conta a incidência do Covid, poderia suscitar a prática indesejável de um superdirecionamento”, discursou o presidente no interior de Goiás.

“Trabalhei em cima daquilo e apareceu uma tabela. Só me equivoquei quando troquei acórdão por tabela”, afirmou Bolsonaro. “A tabela que não foi feita por mim, mas por gente que está do meu lado”, completou, sem citar o nome do servidor Alexandre Marques.

O TCU desmentiu na segunda-feira (7) a declaração de Bolsonaro de que o tribunal produziu relatório afirmando que "50% dos óbitos por Covid não foram por Covid". O órgão disse, em nota, que não elaborou o documento.

O auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Figueiredo Costa e Silva foi afastado de suas funções após ter produzido um relatório com análises que levaram o presidente Jair Bolsonaro a divulgar notícia falsa de que o órgão questionava as mortes por covid-19 no Brasil.

De acordo com informações preliminares encaminhadas à corregedoria, o servidor confessou à sua chefia imediata que ele foi o autor das análises e que comentou o assunto com o pai, que é militar e amigo pessoal de Bolsonaro. O pai teria enviado o texto ao presidente.

Defesa da cloroquina

O presidente usou a história para voltar a defender a cloroquina, remédio sem eficácia comprovada contra a Covid-19. “Talvez eu seja o único chefe de Estado no mundo que fala isso. Será que o único certo? Para acertar na Mega Sena, alguns acertam sozinhos”, disse.

“Se retirarmos as possíveis fraudes, teremos, em 2020, o Brasil como o país de menor número de mortos por milhão de habitantes por causa de Covid. Que milagre é esse? É o tratamento precoce. Quem aqui tomou hidroxicloroquina?”, questionou ele a uma plateia de voluntários. Alguns levantaram o braço e Bolsonaro disse: “Quer prova maior do que essa?”.

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