Em tom diverso de Pazuello, Queiroga defende políticas de distanciamento social

Constança Tatsch
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RIO — O novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, afirmou nesta quarta-feira que há dois caminhos de curto prazo para conter a pandemia: distanciamento social e melhora no atendimento hospitalar dos pacientes. A declaração foi dada durante entrevista coletiva na Fiocruz para a entrega do primeiro lote, com 500 mil de doses da vacina da AstraZeneca, fabricadas pela fundação a partir de insumos importados.

— Esse impacto dos óbitos vamos reduzir com dois pontos principais: primeiro com políticas de distanciamento social próprias que permitam diminuir circulação do vírus e, segundo, com melhora na capacidade assistencial dos nossos serviços hospitalares. A campanha na vacinação, o resultado nas internações e óbitos, vamos conseguir a médio prazo — afirmou Queiroga.

Há uma mudança de tom em relação ao ministro Eduardo Pazuello, de saída da pasta, que, alinhado ao presidente Bolsonaro, não defendeu políticas oficiais de distanciamento. Mas Queiroga manteve o discurso de continuidade que vem adotando desde a sua indicação, chegando a dizer que o Ministério da Saúde "tem feito um trabalho singular".

O futuro ministro, que ainda não tomou posse, pediu união nacional no enfrentamento à Covid-19 e disse que é preciso uniformizar os protocolos de assistência.

— É necessária uma união nacional para o enfrentamento da pandemia. Já vivemos isso no passado e essa instituição é a prova viva desse espírito e da capacidade do brasileiro de nas situações de dificuldade se unir e enfrentar grandes desafios. Oswaldo Cruz e Carlos Chagas enfrentaram no passado a epidemia da gripe espanhola e essa instituição foi construída nessas bases. Acreditamos na força da pesquisa, da ciência e do compromisso do serviço público — afirmou Queiroga. — Vamos trabalhar juntos. Não adianta o governo recomendar o uso de máscara se as pessoas não aderirem a essa medida simples. O governo recomenda redução de aglomerações fúteis e as pessoas ficarem fazendo festas contribuindo para circulação do vírus. Não fique esperando que o governo resolva tudo. É preciso uma corrente para termos êxito.

Queiroga acenou ainda com a possibilidade de troca de equipe no ministério:

— A política pública é a política pública do governo federal e do Presidente da República eleito pela maioria do povo brasileiro. Ele confere autonomia aos seus ministros, mas cobra resultados. Eles nos deu autonomia e faremos os ajustes que couber no momento adequado. O ministro Pazuello tem feito um trabalho que a sociedade brasileira reconhece e vamos trabalhar mais para que tenhamos os resultados que desejamos.

Continuidade: 'Política é do governo Bolsonaro, não do ministro da Saúde', afirma novo titular da pasta