Em três meses, duas operações do Bope e da PRF deixam 30 mortos na Vila Cruzeiro

Duas operações policiais realizadas na Vila Cruzeiro, Zona Norte do Rio, deixaram pelo menos 30 mortos na comunidade. Em fevereiro deste ano, oito homens morreram durante uma ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Um vídeo da ocorrência voltou a circular na internet nesta sexta-feira, mostrando os corpos espalhados em uma rua e a narração de um policial militar. Três meses depois, na última terça-feira (24), nova operação, dessa vez da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), resultou na morte de 22 pessoas. Além desses últimos óbitos, a cabeleireira Gabrielle Ferreira da Cunha, de 41 anos, também morreu após ser baleada a cerca de 300 metros da favela da Chatuba, vizinha à Vila Cruzeiro. Mas ainda não há confirmação de que a mulher tenha sido atingida por disparos da operação.

Na operação de fevereiro, além dos oito mortos, foram apreendidos fuzis, pistolas, granadas e pasta base de drogas. O vídeo gravado pelo PM mostra os corpos espalhados pela rua ao lado de motos caídas e carros abandonados, alguns com as portas abertas. O homem que faz a gravação diz: “Olha o cenário de Alfa de Guerra”. Ao fundo é possível escutar: “Alfa I e PRF”. O homem que grava as imagens destaca: “Alfa de Guerra e PRF, na Vila Cruzeiro”. Ao descrever a cena, ele vai mostrando os corpos na rua e na calçada e diz: “Vamos ganhar”.

— Esse vídeo é de uma operação em fevereiro. O policial que gravou o vídeo foi afastado das atividades operacionais. Aquele local onde os corpos estavam foi preservado e periciado pela Delegacia de Homicídios — disse o porta-voz da corporação, tenente-coronel Ivan Blaz.

Segunda operação mais letal do estado do Rio

A operação da PM e da PRF na última terça (24) foi organizada, segundo as corporações para prender chefes da maior facção criminosa do Rio e suspeitos vindos de outros estados que estariam escondidos na região. De acordo com a PM, ação estava sendo planejada há meses, mas ocorreu de modo emergencial para impedir uma suposta migração para a comunidade da Rocinha, na Zona Sul. A ação é considerada a segunda mais letal da história do Rio, atrás do episódio no Jacarezinho, em maio de 2021, que resultou em 28 mortes.

No dia da operação na Vila Cruzeiro, a Polícia Militar trocou os 96 policiais que trabalhavam na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). O comando também foi modificado no dia 18 de maio, mas a troca foi efetivada somente nesta quarta-feira, dia seguinte da operação na favela. De acordo com a PM, a mudança não possui relação com o episódio e é considerada normal.

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