Em tuítes presidenciais sobre o vírus, brasileiro é antepenúltimo em ranking

DANIEL MARIANI, FÁBIO TAKAHASHI E DIANA YUKARI
GUARULHOS, SP, 26.02.2020 - Passageiros e funcionários usam máscaras de proteção no Aeroporto Internacional. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro afirma que há histeria na preocupação com o novo coronavírus. É uma posição que não conta com o respaldo dos especialistas, tampouco de seus colegas líderes de outros países.

Entre 24 presidentes e primeiros-ministros do G20 (as maiores economias mundiais) e da América do Sul, Bolsonaro é o terceiro que menos tuitou sobre o vírus desde fevereiro, segundo levantamento feito pela reportagem. Foram considerados todos os posts de 1º/2 a 17/3.

O Twitter é uma das principais ferramentas de comunicação do brasileiro e de líderes como Donald Trump.

Deram menos atenção à crise somente os presidentes do Uruguai (6 casos confirmados da doença) e da Turquia (47 casos), considerando a proporção de seus posts sobre o vírus. O Brasil tinha 291 casos até a tarde desta terça (17), segundo o Ministério da Saúde.

Em quase 45 dias, Bolsonaro tuitou 14 vezes sobre coronavírus ou saúde, 5% das suas postagens. Deu muito mais atenção, por exemplo, às manifestações em seu apoio e contra o Congresso e o STF. No domingo (15), tuitou 36 vezes sobre os atos.

Entre os campeões em tuítes sobre a doença estão os antagonistas Nicolás Maduro (184 posts), da Venezuela, e Trump (149). Em termos proporcionais, os líderes são Martín Vizcarra (peruano, 73% dos seus posts) e Lenín Moreno (equatoriano, com 48%). Peru e Equador têm 86 e 58 casos, respectivamente.

O presidente chileno Sebastián Piñera também tuitou mais que o colega brasileiro (21 posts). Seu país tem bem menos infectados que o Brasil, com 156 confirmações.

Além da quantidade menor de mensagens sobre a crise, chama a atenção a diferença no teor dos tuítes de Bolsonaro. Suas mensagens priorizaram medidas do governo, como antecipação do 13º para aposentados e aplicativo criado pelo Ministério da Saúde.

Outros presidentes têm misturado esses anúncios com mensagens de alerta à população. Piñera já afirmou que o vírus "é a maior ameaça à saúde do mundo deste século".

O premiê britânico, Boris Johnson, disse: "Se você tem sintomas, é importante ficar em casa por sete dias, para proteger amigos e vizinhos".

Conservadores, o inglês e o chileno se alinham politicamente com Bolsonaro, mas tratam diferente a pandemia.

O presidente brasileiro reiteradamente diminui a importância da crise mundial. No domingo, teve contato físico com apoiadores, contrariando recomendação do próprio Ministério da Saúde.

Nesta terça, em entrevista à rádio Super Tupi, ele afirmou que fará festa de aniversário no fim de semana, rejeitando a recomendação do ministério e de especialistas de evitar reuniões.

Disse também que medidas adotadas por governadores para conter a Covid-19 vão prejudicar muito a economia.

"Esse vírus trouxe uma certa histeria. Tem alguns governadores, no meu entender, posso até estar errado, que estão tomando medidas que vão prejudicar e muito a nossa economia", declarou.

"A vida continua, não tem que ter histeria. Não é porque tem uma aglomeração de pessoas aqui e acolá esporadicamente [que] tem que ser atacado exatamente isso", disse.