Em turnê com o É o Tchan, Compadre Washington lembra: ‘Sofri críticas por usar o termo ‘ordinária’, teve muito preconceito’

Quem viveu plenamente os anos 90 certamente não escapou de descer na boquinha da garrafa, passar por debaixo da cordinha, pegar no bumbum e no compasso, ralar o tchan. Os saudosos dessa época divertida vão poder viajar de volta no tempo nesta sexta-feira (20), quando o É o Tchan se apresenta na Fundição Progresso, na Lapa, como atração da festa “Chá da Alice”, a partir das 22h.

Fora os hits conhecidíssimos, Beto Jamaica e Compadre Washington vão apresentar novas músicas ao público carioca, como “Casa de bronze”, inspirada numa mania do Rio.

— Ela fala sobre a moda da marquinha de sol feita com a fita isolante, nas lajes da cidade — adianta Washington, garantindo que no repertório não faltarão os sucessos mais badalados, “embora em quase duas horas de show não dê para apresentar nossas mais de cem músicas”.

Aos 61 anos, completados no último dia 14 e “muito bem vividos”, segundo ele, o parceiro de Jamaica confessa que ler os cartazes e letreiros no celular com pedidos da plateia tem sido um desafio, já que não usa seus óculos de grau nos shows. E diz que conta com a ajuda dos fãs mais entusiasmados, que costumam subir ao palco para dançar e cantar suas músicas favoritas.

— É até bom porque, depois de 30 anos de carreira, o HD não carrega tanta letra mais, a memória falha — brinca ele, pai de dez filhos e avô de seis netos, que se diz “solteiro e na pista”, mas cauteloso nos envolvimentos amorosos: — Hoje em dia a gente tem que segurar mais o tchan, não sabe as intenções das pessoas.

O show deste feriado de São Sebastião vai ganhar um brilho a mais, com as participações especiais de Sheila Mello, a ex/eterna Nova Loira do Tchan, e de Jacaré, ex-coreógrafo do grupo.

— Eles são os únicos ex-integrantes do grupo com quem mantenho contato — admite Washington, confirmando que houve desavenças internas e que não seria possível retomar a formação original neste revival: — Como em toda convivência intensa no trabalho ou na família, havia discordâncias entre a gente. Atualmente, cada um leva uma vida diferente. Débora Brasil (que dançava ao lado de Jacaré e Carla Perez na primeira formação do É o Tchan) se tornou evangélica, por exemplo. Jac está morando no Canadá, só vai poder participar por estar de férias aqui.

Trabalhando como ator no exterior, Edson Cardoso, o Jacaré, afirma não sentir falta da época de dançarino:

— Estou afastado dos palcos há muito tempo, o ciclo foi fechado de forma tranquila. Minha saudade é ver o público sorrindo, cantando, dançando e se divertindo.

Sheila, que também se formou como atriz, diz que estará sempre disponível aos chamados dos ex-companheiros de grupo, por gratidão:

— Ser a eterna ‘nova loira do Tchan’ é um privilégio. Junto com o título veio uma história, pessoas, realização profissional e pessoal. Conheci um amor sem interesses, que é o dos fãs. Eles me acompanham há 24 anos, muitos têm tatuagens em minha homenagem na pele. Essa prova de amor é o maior presente que eu poderia ganhar.

Surgido como Gera Samba, o grupo de pagode baiano trocou de nome anos depois para É o Tchan, mas continuou colocando todo mundo para rebolar com muita irreverência e uma dose generosa de sensualidade nas coreografias.

— Sofri críticas por usar o termo “ordinária”, que é carinhoso aqui na Bahia. Jacaré era apontado como gay só por usar collant no palco. Teve muito preconceito. Mas faz parte do caminho para alcançar o sucesso. E a gente chegou lá — celebra Washington.