Em um ano, 2 milhões de lares ganham acesso à saneamento, mas 30% ainda estão desassistidos

Pedro Capetti
Rio Botas, em Belford Roxo, poluído pelo esgoto

RIO — Em um ano, 2 milhões de domicílios ganharam acesso a rede de coleta de esgoto sanitário. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), divulgados nesta quarta-feira, mostram que, em 2019, 49,1 milhões dos 72,3 milhões de casas possuíam ligação com a rede geral, pluvial ou algum tipo de fossa séptica ligada à rede. Isso equivalente a 68,3% das casas, um avanço de dois pontos percentuais em relação a 2018.

Todas as regiões apresentaram avanço na cobertura em relação a 2018, principalmente no Norte e no Centro-Oeste. Enquanto a primeira viu a cobertura expandir de 21,8% para 27,8% dos lares, a segunda registrou aumento do atendimento de 55,6% para 60% dos domicílios.

Apesar da melhora, as regiões apresentam acentuadas desigualdades no acesso à esgotamento. No Sudeste e no Sul, a taxa de domicílios atendidos por redes com fossa séptica conectada era de 88,9% e 68,7%. No Nordeste, região mais pobre do país, era de apenas 47,2%.

Além das disparidades regionais, 30% dos domicílios brasileiros, o equivalente a cerca de 22 milhões de casas, ainda não estão ligadas à rede de esgotamento sanitário. Em 9 milhões delas, o destino dos dejetos era a fossa rudimentar, a vala, rio, lago, mar ou outras formas de escoadouro, prejudicando o meio ambiente e agravando a chance de disseminação de novas doenças.

Em 2019, o banheiro de uso exclusivo estava presente em 97,8% dos domicílios do País. Já o percentual de residências com abastecimento regular de água, no entanto, é praticamente universalizado. 97,6% dos lares dos brasileiros eram atendidos por esse serviço.

Coleta de lixo avança

Além do saneamento básico, o país registrou avanço da coleta de lixo nos domicílios, no ano passado. Entre 2018 e 2019, cerca de 2,1 milhões passaram a ter os serviços de limpeza oferecidos por meio da coleta direta, acompanhando a tendência registrada nos últimos anos. No ano passado, 84,4% das casas eram atendidas por garis nos municípios.

O crescimento foi registrado em todas as regiões do país, diminuindo a participação da coleta em caçamba de serviço de limpeza nas regiões, presente em 7% das casas. Apesar da melhora, o país ainda tem 5,4 milhões de domicílios no País, cujo destino do lixo era a queima na propriedade. A maior incidência está na região Norte (17,6%) e Nordeste, que reúnem 3,8 milhões de domicílios nessa condição.