Em um mês, Paulinho vira o jogo e vai de criticado a ídolo

O brasileiro já se transformou na primeira opção de mudança e tem recebido elogios internamente (AP)

Por Thiago Arantes

Poucas vezes na história do Barcelona um jogador foi tão criticado antes de tocar na bola pela primeira vez. O cenário na capital catalã se desenhava complicado para o volante Paulinho. Afinal, ele foi contratado por 40 milhões de euros na fase final de um mercado de transferências em que o time blaugrana foi considerado um dos grandes perdedores do futebol europeu.

Na apresentação oficial do brasileiro, a situação ficou ainda pior: Paulinho não foi bem nas tradicionais embaixadinhas que os jogadores fazem ao pisar o gramado do Camp Nou; motivo mais que suficiente para imprensa e torcedores locais – ambos já com certa dose de má vontade – criticarem ainda mais.

Os argumentos anti-Paulinho eram muitos. Uns diziam que o preço pago era alto demais; outros, que um time contra o Barcelona não pode contratar um jogador que estava na Superliga Chinesa; havia, ainda, o argumento de que Paulinho não se adaptaria ao sistema de jogo do clube. Ou, para usar a expressão favorita da torcida do Barcelona, trata-se de um jogador que “não tem o DNA do clube”.

Nem mesmo a posição de titular da seleção brasileira, a primeira a classificar-se para o Mundial da Rússia, convencia os culés. Em campo, Paulinho teria de fazer milagre. E, à sua maneira, ele fez.

Depois de jogar nos minutos finais contra Alavés e Espanyol, pela Liga, e diante da Juventus, pela Champions League, Paulinho finalmente brilhou. Ele entrou aos 31 do segundo tempo de um duelo complicado contra o Getafe. O placar no Coliseum Alfonso Pérez apontava 1 a 1 quando, aos 39 minutos, após tabela com Messi, o brasileiro chutou forte para marcar o gol da vitória.

Barcelona descobria algo que os brasileiros têm visto com frequência nas últimas convocações da seleção de Tite. Três dias depois, contra o Eibar, Paulinho estreou como titular, marcou outro gol – desta vez de cabeça, após cobrança de escanteio – e mostrou bom entrosamento com Messi, dando o passe para um dos quatro gols do argentino, na goleada por 6 a 1. No segundo tempo, a torcida no Camp Nou gritou o nome do brasileiro.

“Paulinho está calando a boca de todos os que o criticaram”, escreveu Rubén Uría, um dos mais influentes jornalistas esportivos espanhóis. Entre os torcedores, a impressão é de que, por mais que o brasileiro não tenha muito do estilo que consagrou o clube nos últimos anos, ele possui características complementares a Busquets, Rakitic e Iniesta. Foi assim, em outros tempos, com jogadores como Yaya Touré ou Keitá, ambos importantes no elenco do Barcelona mais vencedor da história.

A disputa de Paulinho para ser titular, contudo, é mais complexa. O meio-campo parece consolidado com o intocável Busquets, um renovado Rakitic e a experiência de Iniesta. No entanto, o brasileiro já se transformou na primeira opção de mudança e tem recebido elogios internamente.

“Estamos muito felizes com ele. No início, houve muitas dúvidas, mas elas vinham de fora do clube. Ele já está integrado à equipe e estamos muito satisfeitos com ele. Acho que ainda nos pode dar muito mais”, avaliou o técnico Ernesto Valverde.

O brasileiro já se transformou na primeira opção de mudança e tem recebido elogios internamente (AP)