Em vídeo, Bolsonaro xinga Doria e Witzel, e Weintraub diz que ministros do STF merecem cadeia

FÁBIO FABRINI E RENATO ONOFRE
BRASILIA, DF, BRASIL, 12-05-2020, 16h00: O presidente Jair Bolsonaro conversa com jornalistas na rampa do Palácio do Planalto, onde o presidente saiu e acenou para apoiadores na tarde de hoje. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A reunião ministerial alvo de uma investigação que opõe o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro teve xingamentos do mandatário e de seus ministros a desafetos políticos e a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo pessoas que assistiram o vídeo do encontro, ocorrido em 22 de abril, no Palácio do Planalto, Bolsonaro chamou de "bosta" o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu desafeto.

A autoridades do Governo do Rio de Janeiro -comandado por Wilson Witzel (PSC), outro adversário-, Bolsonaro reservou o termo "estrume".

A gravação tem outros momentos que suscitariam constrangimento político para o governo.

Um dos presentes à exibição relatou que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que ministros do STF tinham de ir para a cadeia.

O vídeo tem aproximadamente duas horas. Nesta terça-feira (12), o início da sessão para mostrá-lo a investigadores e às defesas do governo e de Moro, em Brasília, atrasou porque foi necessário realizar o espelhamento da mídia, procedimento técnico de perícia, para assegurar a integridade dos arquivos originais. Isso durou quase três horas.

Moro e os demais presentes tiveram que permanecer sem celular.

Na reunião ministerial do dia 22 de abril, Bolsonaro vinculou a mudança do superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro a uma proteção de sua família, segundo pessoas que tiveram acesso à gravação.

De acordo com esses relatos, Bolsonaro usou, na reunião, o verbo "foder" ao falar do impacto de uma possível perseguição a seus familiares.

Ele então disse que, antes disso, trocaria todos da "segurança" do Rio, o chefe da área e até o ministro Sergio Moro, que deixou o governo dois dias depois daquela reunião. Na interpretação de quem assistiu ao vídeo, as palavras foram um recado a Moro.

O presidente, segundo pessoas que tiveram acesso à gravação, disse que não poderia ser "surpreendido" porque, de acordo com ele, a PF não repassava informações.