Em vídeo, CEO de operadora que registrou mortes por coronavírus alerta para cuidados e diz que sistema de saúde pode 'não aguentar'

Gustavo Schmitt

SÃO PAULO. Com 36 pacientes com exames positivo para coronavírus, a operadora de saúde Prevent Senior, voltada para o público idoso, é uma das que concentra atendimentos da doença. Em vídeo, o CEO da Prevent Senior, Fernando Parrilla, reafirma a necessidade de cuidados para frear a propagação do vírus e alerta que o sistema de saúde do país pode "não aguentar", já que, em suas palavras, "não se trata de uma gripe qualquer".

Os três primeiros óbitos pela doença registrados no país ocorreram no hospital Sancta Maggiore, do grupo Prevent. A gravação, no entanto, a que O GLOBO teve acesso, que é endereçada a funcionários e clientes, foi feita no domingo, antes das mortes e viralizou em grupos de trocas de mensagem nas redes sociais. Há ainda um áudio que circula na internet atribuído a Parrillo que exagera o número de mortes pela doença e que foi checado pela reportagem e desmentido.

Em nota, a Prevent informou nesta manhã que tem 55 pacientes tratados em protocolo para Covid-19, sendo 26 em UTI - deste total, 12 foram positivados para Covid-19 e outros 14 aguardam resultado do exame.

Cauteloso, Parrilla pondera no vídeo que não quer gerar pânico e deixa claro que não está se referindo só a situação dos clientes e funcionários da empresa, mas ao quadro de saúde do país. Ele diz que as pessoas precisam seguir as orientações dos governos e pede cuidado principalmente aqueles que se enquadram em grupos de risco para a doença, como os idosos.

— Nós que temos uma idade mais avançada, eu eu tenho 52 anos, também faço parte do sistema da Prevent Senior, precisamos tomar cuidado. Porque obviamente o reflexo na saúde de quem tem um pouco mais idade não é o mesmo de um jovem. Existe um grupo de risco, existe. Também não é para vocês eliminarem a vida de vocês, é para diminuir a intensidade. Ficarem um pouco esperto as situações. Porque não podem ser contaminados, o sistema não vai aguentar - afirma Parrilla.

— O que estou falando aqui não é simplesmente pensando na empresa. Mas tem muita gente que não tem plano de saúde. Todas as empresas tão preparadas pra isso, os hospitais tão muito preparados, mas tem gente que não tem e vai ter que ir pro serviço público de saúde. O governo vem fazendo um excelente trabalho, mas sabemos que os recursos são limitados.

Na gravação, Parrillo pede as pessoas que levem a sério sobre o que está sendo dito em relação ao contágio pela doença, prega união na sociedade e pede que as pessoas deixem de lado divergências "filosóficas".

- São 90 dias de muita atenção. Levem a sério o que está sendo dito, não é uma gripe qualquer. Se espalha muito rápido e nós temos que ter recursos suficientes, tanto do público, quanto do privado para cuidar de todos. Precisamos de uma consciência nacional - disse. - O Brasil tem que mostrar esse efeito: não é só na diversão que a gente se une, mas também nos problemas. Agora, não importa cultura, diferença filosófica, absolutamente nada. Porque a questão é grave e o que precisamos é nos juntar e ser precavidos para que a gente saia vitorioso disso - conclui.