Em vídeo, Tarcísio promete trabalhar junto com prefeito investigado por ligação com maior facção paulista

Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos) gravou um vídeo para receber o apoio do prefeito de Embu das Artes, Claudinei Alves dos Santos, o Ney Santos, que já foi preso duas vezes e é réu num processo em que o Ministério Público o acusa de integrar a maior facção criminosa do país. Procurado, Santos nega qualquer irregularidade. A campanha disse que não vai comentar.

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Correligionário de Tarcísio no Republicanos, o prefeito de Embu das Artes vem organizando comícios e eventos para promover a pré-candidatura do ex-ministro do governo Bolsonaro ao Palácio dos Bandeirantes. No último sábado, os dois participaram de uma gravação, ocasião em que Tarcísio agradeceu o apoio de Santos e prometeu que eles iriam trabalhar "juntos".

— Ney, muito obrigado, por trazer as demandas de Embu das Artes. Com certeza a gente vai ter o maior carinho, vamos trabalhar juntos — diz Tarcísio na postagem publicada em suas redes sociais.

Ney Santos voltou a pedir votos para o aliado.

— Tenho certeza que Embu das Artes já decidiu: é governador Tarcísio de Freitas 10 — respondeu o prefeito, sugerindo o voto no ex-ministro.

Antes, ele havia pedido ao correligionário um hospital-geral na cidade, a reabertura de prontos-socorros e a melhora no trânsito na Rodovia Régis Bittencourt.

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Apesar dos problemas com a Justiça, Santos vem ganhando espaço no cenário político da Grande São Paulo, visto como um importante ativo pelos postulantes ao governo estadual. Reeleito para o segundo mandato em 2020, o prefeito preside um consórcio chamado de "Conisud", que representa uma área de oito cidades paulistas que reúnem 1,5 milhão de habitantes.

Investigações

Santos aparece como réu em uma ação penal no Tribunal de Justiça de São Paulo, acusado dos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. O processo está em tramitação desde o fim de 2016, ano em que se elegeu prefeito pela primeira vez. Nessa ação, o Ministério Público aponta que Santos mantinha ligações com a maior facção criminosa de São Paulo. "Está clara a prática do crime de lavagem de dinheiro, tendo por antecedente a prática de crimes por organização criminosa", diz trecho da denúncia feita pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado do MP, em dezembro de 2016.

Segundo as investigações, assim que enriqueceu repentinamente, Santos passou a custear cestas básicas e viagens de familiares a presidiários e a manter uma rede de laranjas que apareciam como proprietários dos seus postos de gasolina. À época, o Judiciário expediu um mandado de prisão preventiva contra Santos, que ficou foragido por cerca de dois meses e só tomou posse graças a um habeas corpus.

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Antes disso, contudo, Santos, conhecido como Nei Gordo, já havia sido já foi preso duas vezes: a primeira em maio de 1999 pelo crime de receptação e formação de quadrilha. A segunda detenção ocorreu em setembro de 2003, acusado de participar de um assalto a um carro-forte. Nesse processo, ele foi condenado a cinco anos e quatro meses de prisão em primeiro grau, mas depois foi absolvido na segunda instância por falta de provas.

Após a temporada no presídio, investigadores do Ministério Público e da Polícia Civil apontaram que ele passou a movimentar o dinheiro da facção criminosa por meio de uma rede de postos de combustível, adquirindo um patrimônio de cerca de R$ 100 milhões. Em 2010, ele voltou a ser alvo de uma operação policial. Na ocasião, porém, a Justiça negou um pedido de prisão temporária, mas bloqueou os bens atribuídos a ele, o que incluía imóveis num bairro nobre de São Paulo e uma Ferrari avaliada em R$ 1,4 milhão.

Procurado, o prefeito de Embu das Artes nega ter cometido qualquer irregularidade. Os seus advogados argumentam que tais acusações sempre vêm à tona em período eleitoral e as classificaram como "levianas". A defesa afirma ainda que "em mais de doze anos de investigação, não há qualquer prova que ligue Santos ao crime organizado", apesar da já terem sido feitas "inúmeras interceptações telefônicas" e buscas contra integrantes de facções. "São acusações levianas, políticas e que desconsideram a verdade", diz o texto.

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