Em vídeos, Pazuello atribui perda de cargo a pressões políticas

Daniel Gullino, Jussara Soares e Leandro Prazeres
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BRASÍLIA – Em vídeos divulgados nesta quarta-feira, o ex-ministroda Saúde Eduardo Pazuello diz que perdeu o cargo por pressãopolítica. Segundo ele, uma “liderança política” pressionou aele e sua equipe para atender a uma série de demandas. Pazuello nãodisse que liderança seria essa. Segundo o ex-ministro, no auge dapressão, ele chegou a avisar sua equipe de que não chegaria ao dia20 deste mês como ministro.

Os vídeos foramrevelados pela revista Veja e obtidos pelo GLOBO. No total, foram oito vídeos em quePazuello faz um discurso ao lado do novo ministro, Marcelo Queiroga.Em um deles, Pazuello diz que o Ministério da Saúde é alvo depressões políticas por conta do volume de recursos que elemovimenta. Ele admitiu a distribuição de verbas com fins políticos.

— Então aoperação de grana com fins políticos acontece aqui. Acabamos com100%? Claro que não: 100% nem Jesus Cristo. Nós acabamos com muito— afirma Pazuello.

O ministro deu aentender que foi a pressão pela liberação de recursos com finspolíticos que resultou em sua queda.

— Ali começou acrise com a liderança política que nós temos hoje, que nos mandouuma relação para a gente atender e nós não atendemos. Aí chegouno final do ano, uma carreata de gente pedindo dinheiro politicamente— disse Pazuello.

O ex-ministro dizque, diante da pressão, chegou a reunir sua equipe e disse que seriadifícil manter-se no cargo até o dia 20 de março.

— E aí começa ater uma repercussão de oito atores agindo em cima da gente. E nessarepercussão final, de oito atores agindo em cima da gente, eu reunitoda a minha equipe, no dia 27 de fevereiro...Foi isso? Fiz umquadrinho. 23 de fevereiro. Mostrei todas as ações orquestradas,eram oito. Distribuí missões para oito contendores das ações efalei […] Não tinha como nós chegarmos ao dia 20 de março.Porque todo o conjunto estava trabalhando. Marcelo (Queiroga) já foiconsultado no início de fevereiro, lá atrás — disse Pazuello.

A substituição deEduardo Pazuello foi anunciada na segunda-feira da semana passada(15) pelo presidente Jair Bolsonaro. Queiroga só foi nomeado, noentanto, na terça-feira, em cerimônia fechada.