Em votação acirrada, MDB conquista vice-presidência do Senado com novato na legenda

Julia Lindner
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Nilson Bastian/Câmara dos Deputados

BRASÍLIA — Após o MDB abandonar a candidatura de Simone Tebet (MS) à presidência do Senado por um acordo com o DEM, o partido teve que ir à disputa em plenário nesta terça-feira para conquistar a vice-presidência da Casa, que será ocupada por Veneziano Vital do Rêgo (PB) na gestão de Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Em votação acirrada, o emedebista teve o apoio de 40 senadores, enquanto Lucas Barreto (PSD-AP) recebeu 33 votos. O MDB ficou sem outros cargos titulares na Mesa Diretora e corre o risco de perder o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que deve ser assumido por Davi Alcolumbre (DEM-AP).

A eleição de Veneziano só foi possível após uma manobra para que, de forma excepcional, o candidato vencedor pudesse ser escolhido por maioria simples, quando é considerado o total de senadores presentes. Na votação, apenas 73 dos 80 parlamentares em exercício participaram. Normalmente, o eleito precisa ter pelo menos 41 votos (maioria absoluta da Casa). A questão de ordem para a mudança da regra foi apresentada pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO), um dos principais aliados de Pacheco e Alcolumbre. O intuito foi evitar uma crise com o MDB, principal partido da Casa, que possui 15 senadores.

Novato no MDB, Veneziano está no partido há menos de um mês, mas foi escolhido para disputar o cargo por ter sido um dos principais responsáveis pela decisão dos emedebistas de desembarcar da campanha de Simone a poucos dias da eleição. Ela seguiu na disputa de forma independente, mas acabou derrotada. Nos bastidores, Veneziano costurou a aliança informal com Pacheco e ganhou a simpatia dele e do seu antecessor, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Além disso, Veneziano também garantiu outros votos da bancada do MDB, como o da própria mãe, Nilda Gondim (MDB-PB). Ela assumiu o cargo de senadora no início do ano durante o período de afastamento do senador José Maranhão (MDB-PB), internado desde o dia 3 de dezembro após contrair o novo coronavírus. A avaliação de que havia dissidências entre os emedebistas afastou possíveis aliados de Simone na disputa, como o PSDB.

Inicialmente, Veneziano enfrentou resistência dentro da bancada para assumir a vice por ser um recém chegado. Apesar disso, os senadores Eduardo Gomes (MDB-TO), Eduardo Braga (MDB-AM) e Fernando Bezerra (MDB-PE) desistiram de pleitear o posto depois de perceber que o senador paraibano seria o único com chances de assumir a função. Emissários de Pacheco e Alcolumbre deixaram claro que queriam alguém que colaborou com a campanha do DEM desde o início.

A negociação enfrentou resistências da bancada do PSD, que queria manter o cargo ocupado na gestão de Alcolumbre e foi o primeiro partido a manifestar apoio publicamente ao nome de Pacheco na disputa. O momento, considerado decisivo, envolveu também negociações locais em Minas Gerais para 2022. Diante do impasse e para evitar indisposições com as duas siglas, a solução encontrada pelo democrata foi que os dois partidos tentassem a vaga através de votação em plenário, o que colocou em risco a possibilidade dos emedebistas assumiram qualquer cargo na Mesa Diretora.

O acordo entre DEM e MDB ficou aquém do esperado em outros aspectos para os emedebistas. Eles esperavam assumir alguma secretaria na Mesa Diretora, mas ficaram sem nenhuma. Além disso, o MDB argumenta que tem o direito de assumir a CCJ, principal comissão da Casa, por ter a maior bancada, com 15 parlamentares. Tudo indica, no entanto, que Alcolumbre ocupará a função. A proposta dos democratas é que o MDB assuma outras duas comissões, menos relevantes, que ainda estão sendo negociadas.

— Não foram definidas as questões de comissões. A princípio, o que ficou estabelecido, até por um entendimento e uma compreensão bastante óbvia, é de você ter um partido com 15 integrantes e esse estar fora da composição da Mesa é algo incompreensível, até para o próprio melhor funcionamento da Casa — disse Veneziano na terça-feira.

Nos outros cargos da Mesa, Pacheco contemplou os aliados da campanha. A segunda vice-presidência será ocupada pelo senador Romário (Podemos-RJ). A primeira-secretaria ficará com o senador Irajá (PSD-TO); a segunda-secretaria com Elmano Ferrer (PP-PI); a terceira com Rogério Carvalho (PT-SE); e a quarta com Weverton Rocha (PDT-MA).