Em 'zona vermelha', SP, Campinas e Baixada Santista devem ter abertura adiada

PATRÍCIA CAMPOS MELLO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo de São Paulo está classificando as regiões do estado como zona vermelha (maior risco), amarela (risco elevado) e verde (menor risco) para determinar o ritmo da flexibilização do isolamento social, que deve ocorrer a partir do dia 11 de maio.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, as áreas metropolitanas de São Paulo, de Campinas e da Baixada Santista serão classificadas como regiões vermelhas e é muito improvável que se autorize qualquer abertura gradual na semana que vem.

“Em última instância, o comitê de especialistas, a ciência, é que vai decidir”, disse Vinholi, referindo-se aos 12 especialistas do centro de contingência da Covid-19, liderado pelo infectologista David Uip, que vai anunciar as mudanças na quarentena nesta sexta-feira (8), ao lado do governador João Doria. “Mas na zona vermelha, é muito improvável haver alguma flexibilização”, disse.

Segundo Vinholi, os dados são inquestionáveis. “Esses locais passam por grande aceleração no número de contaminações, baixa taxa de isolamento e grande parcela da população faz parte do grupo de risco”, disse.

Na região amarela, onde o risco é um pouco mais baixo, estariam as regiões do Vale do Paraíba, Sorocaba, Pìracicaba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, mais distantes da capital, e lá pode haver algum tipo de flexibilização.

Já as regiões na zona verde, que teriam risco um pouco menor e poderiam ter algum tipo de flexibilização, só serão anunciadas pelo centro de contingência na sexta-feira (8). Talvez nenhuma região se encaixe na classificação de zona verde.

“A situação é muito preocupante no interior do estado, há um avanço significativo da doença, o número de casos está crescendo quatro vezes mais do que na região metropolitana”, diz Vinholi. “Há 45 dias, só 10 cidades paulistas haviam registrado casos; agora, são 354.”

O secretário aponta que, nos Estados Unidos, só houve flexibilização de isolamento depois de 14 dias seguidos de queda no número de contaminações pela Covid-19 e, na Nova Zelândia, após 18 dias. “Nenhuma região do estado tem queda no número de casos”.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), cobrou empatia de Doria em relação à população que está sofrendo por causa das consequências econômicas. Donizette, prefeito da maior cidade do interior paulista, afirmou que espera que o governador confie mais na avaliação dos prefeitos do estado e anuncie na sexta-feira o início da flexibilização da quarentena —do contrário, diz, será difícil manter o isolamento, porque a população já está esgotada.

Segundo Vinholi, só existem dois métodos comprovadamente eficazes no combate à Covid-19 —isolamento social e uso de máscaras. “Em 22 de março, São Paulo respondia por 67% dos casos do país; hoje, por menos de 35%, graças ao isolamento”, diz. O uso de máscara passará a ser obrigatório em áreas públicas em todo o estado a partir desta quinta-feira (7).