Embaixada identifica seis brasileiros residindo no Afeganistão; três serão retirados do país

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DULLES, VIRGINIA - AUGUST 25: A family of people evacuated from Afghanistan are led through the arrival terminal at the Dulles International Airport to board a bus that will take them to a refugee processing center on August 25, 2021 in Dulles, Virginia. According to the U.S. Department of Defense, five evacuation flights from Kabul, Afghanistan have landed at the Dulles Airport carrying 1,200 Afghan refugees in last day. The White House also announced that since August 14, the U.S. has evacuated and facilitated the evacuation of approximately 82,300 people on US military and coalition flights. (Photo by Anna Moneymaker/Getty Images)
Refugiados afegãos chegam aos Estados Unidos. Foto: Anna Moneymaker/Getty Images
  • Embaixador brasileiro no Paquistão explica evacuação

  • Governo brasileiro avalia a possibilidade de conceder visto humanitário a afegãos

  • Diplomata avalia país sob mira do Talibã

Olyntho Vieira, embaixador do Brasil no Paquistão, informou que foram identificados seis brasileiros residindo no Afeganistão, mas que metade não tem intenção de voltar ao país.

Não há embaixada no Afeganistão, o corpo diplomático no Paquistão é o responsável pelas tarefas relativas às relações com o Afeganistão.

"Até o momento, são três afegãos naturalizados brasileiros que desejam levar suas famílias para o Brasil e três brasileiros que trabalham para uma organização humanitária internacional que não desejam deixar o país. Portanto, nesse momento temos três cidadãos brasileiros que desejam levar seus familiares. O total que nós temos registrado até o momento é de 13 pessoas, portanto 10 que são parentes ou familiares próximos desses três cidadãos", disse Vieira ao jornal Globo News nesta quarta-feira (25).

Após a tomada de poder pelo Talibã no país no dia 15 de agosto, muitas pessoas tentam sair do país. No momento, o Brasil discute a possibilidade de conceder vistos humanitários para afegãos, o mesmo concedido a haitianos e sírios que desejam sair de seus países.

"Acredito que teremos uma solução positiva com relação a isso. Não é, necessariamente, simples, porque as pessoas precisariam se apresentar a uma repartição consular brasileira de alguma forma, o processo de concessão de visto humanitário é simplificado, mas de toda forma é um processo que tem que ser cumprido", explica o embaixador.

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Sobre o Talibã, Vieira disse que ainda é cedo para dizer que o grupo mudou. "Claro que 20 anos é muito tempo. Acredito que houve do ponto de vista de convivência, digamos, com os valores universais, algum aprendizado por parte do Talibã. É cedo para dizermos isso", disse ele.

O embaixador explica que a visão do grupo pode não ser compatível com nosso entendimento ocidental de ação, principalmente em questões como direitos humanos e liberade.

"Temos que aguardar um pouco para sabermos como o quadro acabará por evoluir. Me parece claro que uma adesão estrita aos princípios de 20 anos atrás poderá levar o país ao isolamento internacional. E isso provavelmente não atenderá os interesses do país. Então é um pouco difícil de dizer neste momento, mas acredito que pode ser que haja alguma evolução. O que isso representa do ponto de vista de direitos de mulheres? É um assunto importante na pauta de todos os países do mundo. Como o Talibã se comportará em relação a isso?", questionou.

Vieira também avalia que o Afeganistão corre risco de se isolar no cenário mundial. "Acredito que existe interesse em não isolar o país. Não nos esqueçamos que o Afeganistão é um país isolado geograficamente, sem saída para o mar, tem alto índice de problemas, se considerarmos que é uma das rendas per capita mais baixas do mundo, por qualquer critério que consideremos, necessita ter uma abertura para comércio internacional, tem um potencial importante, mas é um país oriental", afirmou.

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