Embaixador boliviano na OEA critica "decisões apressadas" sobre a Venezuela

Cristina García Casado.

Washington, 31 mar (EFE).- O embaixador boliviano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Diego Pary, criticou nesta sexta-feira as "decisões apressadas" que podem ser tomadas sobre a Venezuela e afirmou que protegerá "a soberania" dos Estados quando assumir na meia-noite de hoje a presidência rotativa do Conselho Permanente do órgão.

"Tomar uma informação de primeira, sem ter a certeza do que está ocorrendo, de quais são os argumentos, é tomar decisões apressadas, e isso somente prejudica a relação entre Estados e a vida constitucional dos Estados", disse Pary em entrevista à Agência Efe em Washington.

Pary se pronunciou neste sentido após ser perguntado se considera conveniente a convocação de uma sessão extraordinária na segunda-feira para declarar que na Venezuela há uma alteração da ordem constitucional, algo que solicitarão hoje cerca de 20 países, segundo anteciparam à Efe fontes de três nações da região.

Este pedido acontece depois que nas últimas 24 horas a maioria dos países do continente americano condenou ou expressou preocupação pela decisão do Tribunal Supremo da Venezuela de assumir as faculdades da Assembleia Nacional, de maioria opositora.

Sobre o que fará perante essa solicitação, o embaixador boliviano indicou que, se o tema proposto "vulnerar a soberania de um Estado-membro", sua obrigação "será proteger esse princípio" de soberania.

Na meia-noite de hoje, a Bolívia substituirá Belize na presidência rotativa do Conselho da OEA, uma posição na qual poderia entorpecer, com mecanismos formais, as iniciativas contra o governo da Venezuela, seu grande aliado.

Perguntado sobre este ponto, Pary se limitou a dizer: "Sou o representante boliviano e, como tal, vou assumir a presidência do Conselho, o papel que vou cumprir é o que o Estado me instruir".

Nesse sentido, defendeu a posição que manteve na terça-feira passada, junto aos embaixadores de Venezuela e Nicarágua, de que a OEA não pode realizar sessões sobre um Estado sem seu consentimento.

Seus três votos e os de outras oito nações não foram suficientes, no entanto, para impedir que o Conselho abordasse a situação da Venezuela, já que a reunião foi apoiada por 20 países, com duas abstenções e uma ausência.

A Bolívia é um dos países mais críticos à gestão de Luis Almagro como secretário-geral da OEA, cargo que assumiu em maio de 2015, por considerar que ultrapassa suas atribuições e que atua por sua conta sem consultar os Estados.

Por isso, um dos objetivos do embaixador Pary na presidência do Conselho é "fortalecer o papel dos Estados", porque são eles "que efetivamente devem dirigir a organização".

A Bolívia, junto com Venezuela e Nicarágua, tenta há meses que a OEA realize uma sessão para avaliar a gestão de Almagro, um secretário-geral que consideram que roubou protagonismo dos Estados com sua posição abertamente crítica com o governo de Nicolás Maduro.

Nesta meia-noite, a Venezuela não só receberá a boa notícia de ter sua parceira Bolívia na presidência do Conselho, mas o Haiti, outro de seus fiéis aliados, ostentará a vice-presidência do órgão, que agrupa os embaixadores dos 34 membros ativos (Cuba pertence à OEA, mas não participa desde 1962). EFE