Embaixador da China agradece apoio dos presidentes da Câmara e do Senado na crise envolvendo Eduardo Bolsonaro

Eliane Oliveira
Embaixador da China, Yang Wanming

O embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, usou uma rede social, nesta sexta-feira, para agradecer o apoio dos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP). Na última quinta-feira, um dia depois de Wanming entrar em atrito com o deputado Eduardo Bolsonaro (PFL-SP), Maia e Alcolumbre pediram desculpas à China e prestaram solidariedade ao embaixador.

"Gostaria de expressar ao senhor o meu agradecimento e apreço sobre a sua posição e as palavras e o mesmo, por intermediário do senhor, à maioria esmagadora dos deputados que estão em defesa do fortalecimento da cooperação com a China", disse o diplomata chinês em referência a Rodrigo Maia. Ele também agradeceu a Alcolumbre e disse que transmitiria essas manifestações ao presidente da China, Xi Jiping.

Na quarta-feira passada, declarações feitas pelo deputado sobre a pandemia de coronavírus causaram uma crise diplomática que ainda persiste. Eduardo Bolsonaro insinuou que a China teria sido responsável pela propagação da doença no mundo.

No dia seguinte, Rodrigo Maia fez questão de se desculpar em nome dos deputados. Segundo o presidente da Câmara, a atitude do filho do presidente não condiz com a importância da parceria estratégica entre os dois países. Já Alcolumbre chamou de "infelizes" as palavras proferidas por Eduardo Bolsonaro.

O embaixador disse que o governo chinês está disposto a ampliar e consolidar a parceria entre os legislativos dos dois países, "com base no respeito mútuo". Afirmou, ainda, sem citar o Brasil, que a China vai oferecer assistência e materiais médicos mais urgentes à Organização Mundial da Saúde (OMS), à União Africana e mais 82 países, para fortalecer o combate internacional ao coronavírus.

Até o início da crise entre Wanming e Eduardo Bolsonaro, o Ministério da Saúde conversava com o governo chinês sobre o fornecimento de produtos e equipamentos, como máscaras e respiradores artificiais, ao Brasil. Não se sabe se as negociações foram interrompidas.