Embaixador de vacina contra meningite, Daniel Yoshizawa, do vôlei sentado, busca conscientização

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Daniel Yoshizawa durante treino da seleção de vôlei sentado (Ale Cabral/CPB)
Daniel Yoshizawa durante treino da seleção de vôlei sentado (Ale Cabral/CPB)

Único descendente de japoneses na delegação paralímpica brasileira, o paulista Daniel Yoshizawa, de 35 anos, integra a equipe do vôlei sentado, que estreia a participação masculina nos Jogos de Tóquio no dia 28, contra a China. O paratleta tem um histórico de prática desportiva desde a infância: jogou futebol como todo garoto brazuca. Mas teve afinidade ao se ver em ação no vôlei pelas aulas de Educação Física na escola que frequentou em Suzano, região metropolitana de São Paulo. O município onde mora o também estudante de administração de empresas é considerado cidade do voleibol (vários times campeões foram formados lá). No entanto, o profissional do SESI (Serviço Social da Indústria) ampliaria seu horizonte no esporte fazendo-o meio transformador de sua vida.

É que em setembro de 2009 ingressou na modalidade paralímpica após um longo processo de recuperação de quadro de meningite meningocócica. A doença levou à amputação de suas pernas acima dos joelhos e dedos das mão direita e o dedinho da mão esquerda. Tinha só 21 anos. Apesar de ter sido vacinado na infância, infelizmente não foi imunizado com dose de reforço na adolescência.

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Ele enfrentou um processo doloroso. Perdeu independência. Adoeceu, ficou 15 dias em coma. Apenas após um ano e meio do baque, conheceu o SESI e a modalidade não convencional. Ocasião oportuna de renascer como pessoa e profissional.

A trajetória dele se tornou vitoriosa como levantador, com medalha de bronze no Mundial da Holanda (2018) e ouro no Parapan de Lima (2019). No entanto, o orgulho extrapola as vitórias. Observa como significativo inspirar pessoas com sua superação sim e ainda conscientizar da importância da vacina, pois é embaixador de campanha da empresa farmacêutica francesa Sanofi Pasteur. O alerta de queda da cobertura vacinal no País chama a atenção de todos. Em sintonia com este problema, Yoshizawa fortalece com sua imagem a importância desta imunização.

A meningite meningocócica é um tipo de enfermidade assintomática. Algo que dificulta o diagnóstico precoce. Porém tem um potencial para se desenvolver e evoluir rapidamente. Pode levar à morte em até 24 horas.

Apesar de Daniel nunca ter entrado em contato com pessoas que estavam doentes, imaginava apenas que acometesse as crianças. Porém 20% dos adolescentes e jovens adultos podem ser portadores do meningococo. São pessoas que hospedam a bactéria sem adoecer. Desta forma transmitem a bactéria aos outros. Entre 2015 e 2018, mais de 505 dos casos de meningite meningocócica se deu em indivíduos maiores de 15 anos.

O Brasil é referência em produção de vacinas na América Latina que são conjugadas. Neste contexto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim) recomendam a vacina quadrivalente (ACWY) destinada às crianças e adolescentes, capaz de proteger sorogrupos da bactéria Neisseria Meningitidis (ACWY). Ela foi incorporada ao plano nacional de imunização (PIN) em outubro de 2020, destinada a adolescentes entre 11 e 12 anos e sendo disponibilizada gratuitamente na rede pública. E os jovens terão reforço ampliado. A seguir, Yoshizawa fala entre outras coisas das perspectivas no Japão.

Yahoo Esportes – Como foi a classificação para a Paralimpíada?

Daniel Yoshizawa – Aconteceu nos jogos Parapan-americanos de Lima de 2019 (Peru). Consagramo-nos por ser medalhista de ouro e tetracampeão das Américas ao bater os Estados Unidos por três sets a zero.

O que você espera do Brasil nas Paralimpíadas?

Há possibilidade de medalha dentro do desempenho que atingimos no ranking mundial. Nosso grupo de adversários é formado pela Alemanha, China e Irã. Este último tem a seleção de maior potência no vôlei sentado. Entendo que nosso grupo é focado, trabalhamos muito para ter nosso objetivo concretizado.

Fale de sua função de jogador dentro da parte tática da partida.

Minha posição é a de levantador. O estrategista do time. Tenho de desenhar a jogada da melhor forma, possibilitando condições de ataque. É uma posição fundamental. Muitas vezes sou confundido com capitão (risos). Mas quem na verdade tem este posto no time é o Fabrício.

A pandemia atrapalhou a preparação aos Jogos de Tóquio?

Devido ao fato de prolongar-se por mais de um ano, a pandemia atrapalhou muito. Especialmente a programação de intercâmbio, estávamos treinando com a seleção ucraniana. Teríamos a Copa no Egito e Bósnia Herzegovina. Enfrentaríamos a seleção alemã. Houve paralisação de tudo. Demorou a volta e continuidade, pois nos estados haviam aberturas e fechamentos alternados.

Como é ser o único descendente de japonês na delegação?

É curioso. Nunca estive no Japão também. Minha falecida avó (batchan), que morava conosco em Suzano, criou o hábito da culinária japonesa. Comíamos diariamente. E os pratos eram o gohan (arroz), tofu e missoshiro (sopa).

Há algum ídolo que você tenha na modalidade ou outro esporte?

Sim, o líbero Serginho, que foi da seleção de vôlei e se aposentou. O levantador da seleção e do Minas, William Arjona (Mago), e minha colega Evelyn Oliveira, da bocha paralímpica, medalha de ouro em 2016 no Rio de Janeiro.

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