Embaixador do Paquistão pede mais ajuda à UE para enfrentar as cheias

Com quase meio milhão de pessoas deslocadas e dez mil milhões de euros de prejuízos causados pelas cheias desde meados de junho, o primeiro-ministro do Paquistão pede à comunidade internacional "um apoio sério e sincero".

O embaixador do país para a UE, Asad Majeed Khan, disse à euronews que é provável que a situação se agrave nos próximos dias: "A água que está a cair agora, sob a forma de chuva, vai atingir as áreas já inundadas, os rios, as barragens. Portanto, prevemos ter muito mais problemas pela frente. A destruição e o desastre que estamos a ver podem ser, na realidade, a ponta do icebergue".

As colheitas e muitas infra-estruturas foram destruídas, tendo os mais recentes dados coligidos pela embaixada apontado para a perda de:

  • 5 mi km de estradas

  • 243 pontes

  • 1 milhão de casas

  • 730 mil cabeças de gado

UE vai aumentar ajuda

A Comissão Europeia atribuiu 1,8 milhões de euros em assistência humanitária imediata e pretende reforçar o apoio.

"De facto, esta é uma verba inicial e estamos ver formas de a aumentar a ajuda à medida que as necessidades vão aumentando. Neste momento, temos uma ativação pendente do Mecanismo de Proteção Civil porque as autoridades paquistanesas estão a pedir ajuda em termos de abrigo", disse Balazs Ujvari, porta-voz da Comissão Europeia.

Nas últimas três décadas, a UE tem apoiado financeiramente o Paquistão, que enfrenta dificuldades de desenvolvimento devido à agitação política, mas não só.

O pais está entre os dez mais vulneráveis do mundo aos efeitos das alterações climáticas e, por isso, a solidariedade será necessária a longo prazo.

"A crise vai agravar-se porque as cheias vão ter impacto na nossa capacidade de semear as culturas de inverno. Assim, considerando tudo isto, penso que uma conferência internacional de doadores seria uma resposta adequada para os atuais desafios", afirmou Asad Majeed Khan.

A ONU estima que serão necessários 160 milhões de euros em financiamento de emergência e o Secretário-geral, António Guteres, visitará o país na próxima semana.