Embargo dá voto na Flórida e argumento para esquerda defender ditadura de Cuba

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A esquerda sul-americana que defende a ditadura em Cuba costuma disfarçar a incoerência do apoio a um regime autoritário com o argumento de que o país está assim por conta do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos. Cuba não é uma ditadura porque há um bloqueio comercial, mas, de fato, a política do embargo já tem várias décadas que se mostra incapaz de abalar o regime. Ou seja, eficácia zero para o que se propõe.

O problema é que o embargo americano a Cuba não existe para servir ao que, no discurso, se propõe. Seu objetivo é outro.

O peculiar sistema eleitoral americano confere ao estado da Flórida um poder imenso nos pleitos presidenciais. É um dos poucos estados grandes realmente divididos, que ora se inclinam para candidatos republicanos, ora para democratas. Por isso, todos os nichos eleitorais por lá são relevantes — e um deles é composto pelas famílias que migraram de Cuba após a Revolução de 1959. Todos anticastristas virulentos.

Todo presidente americano tem medo de retirar o bloqueio e perder os votos dos cubanos-americanos para seu partido. Ou, pior, engajá-los todos para votar contra. Então ninguém mexe numa política inútil.

Da mesma forma, há muitas décadas a política de embargo ajuda a ditadura fundada por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara a angariar apoios de partidos importantes no continente, além de usá-lo internamente para engajar sua população com discurso patriótico. Funciona melhor fora de Cuba do que dentro.

Seria muito mais difícil para partidos como o PT defender um regime de partido único com candidato à Presidência único, censura à imprensa e às artes, além de presos políticos, se não fosse o espantalho do embargo. Mas, ao menos por enquanto, o embargo sem utilidade seguirá.

Sem utilidade, não: dentro dos EUA, reforça os votos para candidatos à Presidência do país na Flórida. Fora dos EUA, dá o argumento que permite à esquerda sul-americana, que resistiu a ditaduras de direita em nosso naco das Américas, defender a ditadura dos outros sem precisar se explicar.

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