Embarque de insumos da CoronaVac para o Brasil está previsto para a próxima semana, após entraves na China

Marcelo Ninio, especial para O Globo
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Marcelo Ninio / O Globo

PEQUIM — Novos lotes com insumos para a rel="external" href="https://erj.ersjournals.com/content/erj/early/2020/05/04/13993003.01217-2020.full.pdf">produção de 20 milhões de doses da CoronaVactrabalho chegarão da China ao Brasil no fim deste mês e no início de fevereiro. Esta é a previsão para a próxima fase de fornecimento das matérias-primas necessárias para continuar a produção da vacina contra a Covid-19 no Instituto Butantan. A informação é de fontes que acompanham as negociações de perto, ouvidas pela reportagem.

>: rel="external" href="https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2768351">Saiba tudo sobre o começo da distribuição da vacina contra a Covid-19 no Brasil

Na segunda-feira o diretor do Butantan, Dimas Covas, href="https://oglobo.globo.com/sociedade/vacina/butantan-admite-preocupacao-com-insumos-da-coronavac-parados-na-china-24843852">manifestou preocupação com o atraso na entrega dos insumos da vacina chinesa. Segundo as mesmas fontes a demora se deve a questões burocráticas de exportação, não à escassez de insumos.

Embora a vacinação emergencial contra a Covid-19 na China venha ocorrendo desde o meio de 2020, com o surgimento de um novo surto, o governo deu início a um plano mais amplo no início deste ano voltado a nove grupos de risco. O objetivo é vacinar 50 milhões de pessoas até o Ano Novo Chinês, que começa no dia 12 de janeiro, quando tradicionalmente milhões de pessoas se deslocam pelo país.

No Brasil, o início da vacinação foi marcado pela incerteza sobre as doses, com secretários estaduais estimando que o estoque dure apenas uma semana. O Brasil ainda não conseguiu efetivar, da Índia, a importação de duas milhões de doses da vacina da Astra Zeneca/Oxford nem há previsão para a chegada dos insumos, também da China, para a fabricação do imunizante pela Fiocruz.

Para a CoronaVac, a expectativa é de que os próximos lotes de insumos a serem entregues ao Butantan totalizem 11 mil litros, o que seria suficiente para produzir cerca 20 milhões de doses. Os próximos embarques estão previstos para a próxima semana.

Na entrevista coletiva da última segunda-feira, Dimas Covas afirmou que as matérias-primas já estão prontas para envio “desde meados deste mês”, e que a partida depende da autorização do governo chinês.

Procurada pela reportagem, a Embaixada do Brasil em Pequim informou que está em contato com as autoridades chinesas e com a empresa responsável pelo fornecimento dos insumos "para identificar a melhor maneira de resolver a questão".

Sinovac assegura cumprimento de contrato

Em entrevista ao GLOBO nesta terça-feira, o comandante da Sinovac, laboratório que produz a CoronaVac, disse que a empresa cumprirá sua parte no contrato e pediu a confiança do público brasileiro. Yin Weidong, porém, não quis entrar em detalhes sobre o cronograma dos próximos envios de insumos da CoronaVac.

O executivo acrescentou que o laboratório concluiu a construção de uma nova fábrica em Pequim, o que permitirá dobrar a produção da vacina para um bilhão de doses por ano.

— Assinamos um contrato comercial (com o Butantan) e vamos executá-lo. Não posso detalhar a data específica, mas em termos gerais apoiamos totalmente e valorizamos o uso da vacina no Brasil. Até agora já fornecemos milhões de doses ao Butantan, mais, inclusive, do que para o mercado chinês, que recebeu 10 milhões — disse o CEO da Sinovac.

Weidong reforçou, ainda, a parceria com o Butantan:

— Gostaria de dizer ao público brasileiro que acredite no Instituto Butantan na parceria com a Sinovac. Nós damos grande importância ao processo de vacinação no Brasil.

Segundo o executivo, há uma escassez mundial de vacinas, o que tem provocado a mobilização de governos do mundo inteiro para garantir o suprimento.

— Entendo a preocupação. O mundo inteiro está ansioso para ter as vacinas, todos os governos estão na mesma expectativa. Há uma escassez mundial no suprimento de vacinas. Não é uma questão que afeta apenas a população brasileira — disse Weidong. — Todos os governos estão concentrados nisso. Vimos isso na Turquia, onde o presidente foi vacinado, e em outros países. Nós faremos o máximo para implementar o fornecimento ao Brasil de acordo com o contrato (assinado).