Embates com Boris Johnson levam à saída de ministro das Finanças

(Arquivo) Sajid Javid, ex-banqueiro da cidade de Londres, era considerado seguro em seu trabalho

O ministro britânico das Finanças, Sajid Javid, abalou o Executivo de Boris Johnson nesta quinta-feira (13), ao anunciar sua inesperada renúncia, duas semanas depois do Brexit e um mês antes da apresentação do orçamento anual do governo.

Imediatamente depois, Downing Street divulgou o nome de seu substituto, Rishi Sunak, de 39 anos, que desde julho de 2019 era secretário-chefe do Tesouro. Na prática, o posto corresponde ao número dois desta mesma pasta.

Essa renúncia representa uma surpresa de peso numa remodelação que promete ser complicada.

Javid deixa a função no momento em que o premiê conservador realiza uma reestruturação de seu gabinete, uma reorganização da qual o agora ex-ministro divergia, esclareceu seu porta-voz.

Segundo uma fonte ligada a Javid e citada em matéria da agência britânica de notícias Press Association, Boris determinou que ele demitisse todos os membros de sua equipe de assessores para substituí-los pelos conselheiros especiais de Downig Street.

Javid considerou que "nenhum ministro que se preze aceitaria tais condições" e escolheu apresentar sua demissão, segundo a fonte.

Esta decisão foi anunciada após dias de rumores sobre as crescentes tensões entre o ministro das Finanças e o assessor especial de Johnson, Dominic Cummings.

Após o anúncio, a libra subiu acentuadamente: "O mercado está apostando que (essa remodelação) significa mais gastos, menos austeridade e mais crescimento", um mês antes da apresentação do orçamento disse Neil Wilson, analista da Markets.com.

Sajid Javid, de 50 anos, é um ex-banqueiro que se voltou para a política. Filho de um motorista de ônibus paquistanês, ele atuou como ministro do Interior antes de ser nomeado para a pasta das Finanças em julho passado, quando Boris Johnson assumiu o governo.

Nesta quinta, o premiê britânico divulgou a primeira reestruturação do Executivo desde que ganhou as eleições legislativas antecipadas de dezembro com ampla maioria.

Além de secretários de Estado de perfil mais baixo, Johnson substituiu o responsável para a Irlanda do Norte, Julian Smith. O inesperado movimento se deu poucas semanas após conseguir reinstaurar as instituições semiautônomas da província, depois de mais de três anos de bloqueio.

Em contrapartida, os demais pilares do governo voltaram aos postos: Dominic Raab nas Relações Exteriores, Priti Patel no Interior e Michael Gove, responsável pela preparação do Brexit antes de se tornar, de certa forma, assistente de Boris Johnson.

Alok Sharma foi nomeado secretário de Estado para Negócios, Energia e Crescimento Limpo. Ele também presidirá a COP26 sobre o clima, que será realizada em novembro em Glasgow (Escócia), depois que sua presidente Claire Perry O'Neil foi demitida.

Após a decisão do governo, ela atacou violentamente o histórico de Boris Johnson na luta contra a crise climática e denunciou uma "enorme falta de liderança".