Emblema imperial espanhol ressurge no Peru em manifestações pró-Fujimori

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Manifestantes participam de uma marcha sob o slogan #respectmyvote, em oposição à possibilidade de um governo socialista no caso de uma vitória do esquerdista Pedro Castillo no segundo turno de 6 de junho, em Lima, 26 de junho de 2021

Bandeiras com a Cruz de Borgonha, o emblema imperial espanhol durante o vice-reinado do Peru, voltaram às ruas de Lima no fim de semana, em manifestações anticomunistas em repúdio a uma vitória do esquerdista Pedro Castillo no segundo turno presidencial contra a direitista Keiko Fujimori.

O estandarte com a cruz ou pás na cor vermelha sobre um fundo branco também aparecia nos escudos de proteção usados por colunas de um grupo autodenominado "Sociedade Patriotas do Peru", que acompanharam as marchas de protesto dos simpatizantes fujimoristas.

Os seguidores da candidata direitista afirmam que houve irregularidades nas eleições de 6 de junho.

"Somos o braço político, duro, de choque" de uma organização política e cultural, disse à AFP Martin Barrueto, vice-presidente da Sociedade de Patriotas.

"Fomos resguardar os civis que foram marchar (em defesa do voto), fomos por prevenção, não vamos atacar ninguém, vamos nos defender", afirma sobre sua participação nas marchas.

"Já chegamos, 'terruquitos' (comunistas), para varrê-los, destroçá-los, quero vê-los na vala comum, das suas tripas tiro sebo e dou para o meu cachorro", entoaram, desafiadores, cerca de 20 deles, enquanto marchavam pelo centro histórico de Lima em um vídeo que viralizou na noite de domingo.

O que chamou atenção no grupo foi o uso de símbolos imperiais espanhóis em um momento em que o Peru comemora os 200 anos de sua independência da Espanha neste 28 de julho.

"Usamos uma simbologia com a cruz de Borgonha e a Unancha incaica, ambas representam o componente europeu e indígena, ambos são os fatores que formam a identidade peruana", diz à AFP Barruero, após negar ser supremacistas.

"A esquerda nos chama de supremacistas e nazistas só por expor uma cruz de Borgonha. Imaginem os adjetivos que eles devem ter por exibir uma foice e um martelo", responde o dirigente.

O Peru vive uma tensão permanente há três semanas porque a autoridade eleitoral ainda não terminou de revisar as impugnações de milhares de votos apresentadas por Keiko Fujimori. Só então poderá ser proclamado o vencedor.

A apuração oficial do segundo turno de 6 de junho, que chegou a 100% há duas semanas, atribuiu a Castillo 50,12% dos votos contra 49,87% para Fujimori, superando-a em 44.000 votos.

Desde meados de junho há manifestações nas quais os simpatizantes de Fujimori clamam por "novas eleições", enquanto os seguidores do esquerdista Castillo exigem que seja proclamado o vencedor.

O Peru foi vice-reinado espanhol desde a sua fundação, em 1542, até sua dissolução, em 1824, quando as tropas da coroa foram derrotadas militarmente na batalha de Ayacucho pelo exército do libertador Simón Bolívar.

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