Emenda sobre 'lockdown' em SP que circulou no diário oficial foi rejeitada antes de ser votada

IVAN MARTÍNEZ-VARGAS
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 04.03.2020 - Geral da Assembleia Legislativa de São Paulo. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A proposta de isolamento total ("lockdown") no estado de São Paulo publicada no Diário Oficial desta quinta (21), de autoria do deputado Paulo Fiorilo (PT), foi formulada na última quarta-feira (20) e derrotada no mesmo dia em votação em congresso de comissões da Assembleia Legislativa.

O texto, que viralizou nas redes sociais como se fosse proposta do governador João Doria (PSDB) a ser votada. O texto, porém, era uma emenda ao projeto de lei 350, que institui medidas emergenciais para o enfrentamento da pandemia de coronavírus no estado, e não chegou nem sequer a ir a plenário.

"Apresentei individualmente uma emenda que estabelecia 'lockdown' a ser implementado em junho [dos dias 1ª a 15], mas isso não será discutido porque na comissão a maioria aprovou o parecer do relator, sem essa proposta. Hoje, tentaram emplacar a fake news de que o texto era do Doria", afirmo o deputado Paulo Fiorilo.

"Essa ideia nem vai à votação, morreu ontem mesmo. Está havendo desinformação nas redes, parece mais uma do gabinete do ódio", afirma o relator do projeto de lei, Carlão Pignatari (PSD), aludindo ao grupo que controla a comunicação de Bolosnaro nas redes.

O texto da emenda viralizou como se fosse ser votado nesta quinta e fosse de autoria de Doria, com quem Bolsonaro tem trocado frequentes críticas. "Doria enxertando emenda no texto do feriado para impor LOCKDOWN em São Paulo do dia 01 ao dia 15 de junho, na camufla", publicou o influenciador digital Leandro Ruschel, apoiador do governo Bolsonaro e defensor do relaxamento da quarentena no estado.

O post de Ruschel, feito às 11h10 desta quinta (21), foi compartilhado mil vezes. Em outro tuíte, às 11h34, ele corrigiu a informação, afirmando que deveria "manter a pressão" contra o isolamento.

Bolsonaro e Doria divergem sobre o isolamento social. O presidente defende o fim da medida, enquanto o governador tem adotado medidas para aumentar a taxa de isolamento no estado, mas insiste que não há, por ora, necessidade iminente de "lockdown", apesar de o estado já contar mais de 5.000 mortes pela Covid-19.