Emicida faz show de seu novo álbum em São Domingos, Niterói

Giovanni Mourão

NITERÓI — A Sala Nelson Pereira dos Santos recebe no próximo fim de semana, dias 7 e 8, às 20h, o rapper Emicida, apresentando seu trabalho mais recente, “AmarElo”, lançado em outubro de 2019. Em 11 faixas, o artista exalta as coisas simples da vida e prega a conexão entre as pessoas pelo que elas têm em comum, usando o amor como ponte.

Além de clássicos de sua trajetória, o artista mostra um repertório com canções de seu novo CD, como “Principia”, “A ordem natural das coisas”, “Pequenas alegrias da vida adulta”, “Paisagem”, “Cananéia, Iguape, Ilha Comprida”, “Ismália”, “Eminência parda”, “AmarElo” e “Silêncio”.

Inspirado em Leminski

Com o título inspirado num poema de Paulo Leminski (“Amar é um elo/Entre o azul/E o amarelo), o rapper busca reunir heranças, referências e particularidades encontradas na música brasileira, aplicando a elas olhares e aprendizados que acumulou desde o lançamento da sua primeira e clássica mixtape, “Pra quem já mordeu um cachorro por Comida, até que eu cheguei longe”, lançada em 2009.

“AmarElo” traz na capa uma imagem feita pela fotógrafa e ativista Claudia Andujar. Nela, se escancara uma forma de protesto contra o estado e as ameaças aos povos indígenas.

— Tem criança de 8 anos sendo baleada pelo estado. Então, ter três crianças indígenas na capa, num período em que eles estão vendo a sua cultura e o seu modo de vida ameaçados, é colocá-las para encarar o Brasil dizendo: vai acontecer tudo de novo? — conta Emicida.

A outra inspiração foi a capa do disco “Stakes is high”, do grupo americano de rap De La Soul. O trabalho é tido, nos Estados Unidos, como um jeito “antigangsta” de se fazer rap. E “AmarElo” também tem muito disso, diz o artista:

— O rap é compreendido por um estereótipo que é o mesmo dado às pessoas pretas, como a raiva e a pobreza. Muitas vezes, o discurso das músicas corroborou com isso. Por mais que a denúncia seja valiosa, ela achata a experiência e não faz justiça a tudo o que somos. Em “AmarElo”, a gente foge desse espectro previsível do que o rap pode ser.

Usando o gênero como fio condutor, Emicida — que já lançou três álbuns de estúdios e duas mixtapes — soma o clássico ao moderno em uma incursão que ele ousa chamar de neo-samba.

Ingressos

A Sala Nelson Pereira dos Santos fica na Avenida Visconde do Rio Branco 880, em São Domingos. O ingresso custa R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia), podendo ser obtido na bilheteria do local, pelo link bit.ly/2T2hPBo ou na loja Chocolates Brasil Cacau da Rua da Conceição, no Centro, que fica aberta de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h.

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