Emir de Dubai é condenado a pagar valor recorde de R$ 4,2 bi para ex-esposa e filhos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O emir de Dubai, xeque Mohammed bin Rashid al-Maktoum, foi condenado nesta terça-feira (21) por tribunal de Londres a pagar mais de 554 milhões de libras (R$ 4,2 bilhões) à ex-esposa e aos dois filhos. Trata-se de um valor recorde em indenizações por divórcio concedido por um tribunal londrino.

A maior parte do montante a ser entregue para a princesa Haya Bint Al Hussein, meia-irmã do rei Abdullah da Jordânia, e para os filhos é destinada a garantir a segurança vitalícia da família, disse o juiz Philip Moor, para enfrentar o "grave risco" que o xeque representa para eles.

O magistrado instruiu o xeque a fazer um pagamento único de 251,5 milhões de libras em três meses para Haya pela manutenção de suas mansões em território britânico, para cobrir o dinheiro que ela disse que ele lhe devia por joias e cavalos de corrida e para cobrir seus futuros gastos com segurança pessoal.

O xeque, que é vice-presidente e premiê dos Emirados Árabes Unidos, também foi instruído a fornecer 3 milhões de libras para a educação de Jalila, 14, e Zayed, 9. Ele também foi intimado a pagar 11,2 milhões de libras por ano para os cuidados das crianças e por sua segurança quando se tornassem adultos.

A soma final, apesar de ser considerada por alguns advogados de Londres a maior sentença pública já ordenada por um tribunal de família inglês, é menos da metade dos 1,4 bilhão de libras que a defesa de Haya havia pedido no início do processo judicial.

Durante quase sete horas de testemunho, Haya, 47, disse que um pagamento único permitiria um rompimento simples e removeria o controle do xeque sobre ela e seus filhos. "Eu realmente quero ser livre e quero que eles sejam livres", disse ela ao tribunal.

Após a decisão, um porta-voz do xeque argumentou que ele sempre garantiu o sustento de seus filhos e pediu que a mídia respeitasse sua privacidade. Um advogado de Haya não respondeu a um pedido de comentário da agência de notícias Reuters.

O acordo é o mais recente desenvolvimento de uma saga legal que começou quando a princesa fugiu para o Reino Unido em abril de 2019, temendo por sua segurança depois que ela começou um caso com um de seus guarda-costas, e um mês depois de pedir o divórcio ao xeque.

Mais tarde naquele ano, um tribunal de Londres decidiu que Mohammed realizou uma série de ameaças e intimidação que a fez temer por sua vida e que ele também havia sequestrado e maltratado duas de suas filhas de outro casamento.

As princesas denunciaram um suposto sequestro orquestrado pelo pai à emissora britânica BBC, que divulgou as acusações em um de seus principais programas jornalísticos. Elas também processaram o xeque numa corte britânica, que o condenou pelo sequestro e por ameaças.

No início deste ano, o presidente da Divisão da Família da Inglaterra confirmou que Mohammed havia ordenado que os telefones de Haya e de seus advogados fossem hackeados usando o Pegasus, software criado por uma empresa israelense e considerado uma das armas de espionagem digital mais modernas já feita.

A despeito das investigações envolvendo o emir de Dubai, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL), encontrou-se com ele durante viagem de seis dias pelo Oriente Médio realizada em novembro.

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