Emissária da ONU alerta para risco 'sem precedentes' de guerra civil em Mianmar

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Mianmar enfrenta um risco "sem precedentes" de "guerra civil", alertou a emissária da ONU Christine Schraner Burgener nesta quarta-feira (31), instando o Conselho de Segurança da entidade a usar "todos os meios" para evitar uma "catástrofe" e um "banho de sangue".

"Isso pode acontecer diante de nossos olhos e o fracasso em evitar uma nova escalada de atrocidades custará ao mundo muito mais, no longo prazo", do que uma ação imediata, afirmou a enviada especial do Secretário-Geral da ONU para Mianmar, durante um reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança, de acordo com um discurso obtido pela AFP.

“A crueldade dos militares é muito grave e muitas organizações étnicas armadas expressam claramente sua oposição, aumentando a possibilidade de uma guerra civil a um nível sem precedentes”, estimou.

"Um banho de sangue é iminente", alertou.

"Exorto este Conselho a considerar todos os meios à sua disposição para empreender uma ação coletiva e fazer o que for necessário, o que o povo birmanês merece, para evitar uma catástrofe multidimensional no coração da Ásia", acrescentou a comissária durante esta reunião de emergência sobre Mianmar, solicitada pelo Reino Unido.

Schraner Burgener também pediu uma "resposta internacional firme, unitária e determinada".

Os membros do Conselho de Segurança estão, no entanto, divididos. Enquanto os Estados Unidos e o Reino Unido acabam de anunciar uma nova série de sanções, a China e a Rússia se recusam a condenar oficialmente o golpe.

Aproveitando as divergências entre as potências mundiais, os generais birmaneses dão sequência a seu golpe sangrento.

Relembrando o balanço de "mais de 520 mortos" na repressão às manifestações contra o golpe militar de início de fevereiro, a emissária da ONU afirmou temer "eventos ainda mais sangrentos", já que o chefe do exército "parece determinado a consolidar seu controle ilegal do poder pela força".

“A mediação requer diálogo, mas o exército birmanês fechou as portas a quase todos”, lamentou, estimando que os generais só vão querer debater quando “tiverem a sensação de que podem controlar a situação através da repressão e do terror”.

Em 10 de março, o Conselho de Segurança pela primeira vez condenou "fortemente a violência contra manifestantes pacíficos, incluindo mulheres, jovens e crianças", em uma declaração emitida por Londres que atacou os militares de uma maneira sem precedentes.

Apesar das tentativas ocidentais, o Conselho descartou menções que fizessem referência a um "golpe" e à possibilidade de sanções internacionais se a repressão se prolongasse, devido à oposição de Moscou e Pequim, mas também de outros países membros do Conselho Asiático, como Índia ou Vietnã.

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