Strokes apostam nos hits para encerrar Lollapalooza com chave de ouro

Alba Santandreu.

São Paulo, 27 mar (EFE).- A banda nova-iorquina The Strokes apostou neste domingo nos seus grandes sucessos para encerrar o Lollapalooza Brasil, o festival de rock que nesta edição foi marcado por grandes doses de música eletrônica.

A chuva deu início ao show - um dos mais esperados do festival -, mas cessou com os primeiros acordes de "Someday", um clássico indiscutível deste grupo que muitos chegaram a considerar como "os salvadores do rock".

Nostálgicos ou talvez "saudosos", os americanos desempoeiraram suas melhores canções para fazer a alegria do público, que pulou com "Last Night" e "Hard to Explain", ambas do álbum estreia da banda "Is This It" (2001).

De seu último trabalho, "Future, Present Past" (2016), os Strokes, uma das bandas de garagem mais icônicas do novo milênio, tocou apenas "Threat of Joy" e "Drag Queen", uma canção que pareceu não agradar tanto aos fãs que abarrotaram o autódromo de Interlagos, em São Paulo.

O grupo liderado por Julian Casablancas fez várias pausas que tiraram a atenção do público e deram ao show um certo ar de ensaio, chegando inclusive a desanimar uma parte dos presentes pouco antes do final da apresentação, que durou cerca de uma hora e meia.

No meio das reclamações de Casablancas pelo som que chegava de outros palcos do festival e uma certa apatia nas palavras do vocalista, o bateria brasileiro Fabrizio Moretti fez a alegria dos seus, falando em português e decorando seu instrumento com uma bandeira do Brasil.

Antes de cair a noite, o Two Door Cinema Clube já havia conquistado o público mais jovem do festival com uma mistura de músicas consolidados, como "Come back home", e singles de seu novo álbum de estúdio, "Gameshow", com o qual o trio irlandês expõe um lado mais maduro e consistente, sem abandonar seu espírito indie.

Os prodígios da Irlanda do Norte fizeram pular um séquito de jovens com o ritmo de suas canções, especialmente com seu hit "What you want", que transformou o autódromo em uma autêntica pista de dança.

O ruivo Alex Trimble conquistou os brasileiros e lhes prometeu que sua próxima visita ao país não demorará tanto para repetir-se: "Foram quatro anos e foi f... longo".

Em outro dos palcos, o grupo britânico Duran Duran agradeou aos mais veteranos com uma volta à década de 1980, época na qual a banda se consagrou no firmamento do pop rock.

Com 40 anos de música nas costas e 14 álbuns de estúdio, Simon Le Bon e companhia abusaram de seus velhas glórias para despertar nostalgia, mas deixaram de lado a mítica "Save a Prayer", para a decepção de alguns fãs.

O Duran Duran dividiu a cena durante alguns minutos com a cantora Céu, que se apresentou no início da tarde no palco principal do festival.

Depois foi a vez do revolucionário artista do rhythm and blues alternativo The Weeknd. No auge, o ganhador de dois prêmios Grammy fez sua primeira apresentação em terras brasileiras e soube como deixar o público a seus pés.

A edição brasileira do Lollapalooza reuniu neste domingo cerca de 90.000 pessoas, frente às 100.000 de sábado, quando o Metallica se entregou totalmente em um show que durou cerca de duas horas.

Com cerca de 50 atrações e dois dias de música, o Lollapalooza pôs fim hoje à sua sexta edição no Brasil, seu primeiro destino antes de aterrissar no próximo fim de semana em Buenos Aires e em Santiago do Chile. EFE