Emoção em escola do Paraná: alunos fazem vídeo em que raspam a cabeça em homenagem a colega com câncer

- Eu me sinto num Titanic afundando e vocês são minha boia.

As palavras são de um jovem atlético, de 17 anos, atração do time de basquete da São José dos Pinhais, no Paraná. Garotão "de boas", vaidoso e que gosta de posar para fotos em suas redes sociais, Nicolas Barlande, não se conteve na última segunda-feira quando chegou à escola. Os colegas do "terceirão 131", como é chamada a turma de terceiro ano do Colégio Adventista da cidade, preparam para ele uma homenagem que o rapaz não poderia esperar. Há pouco mais de dois meses, Nicolas foi diagnosticado com um linfoma no tórax, e a quimioterapia o tratamento do câncer fez com que tivesse que raspar a cabeça. No último sábado, ele se despediu do topete que só ficava escondido quando estava de boné. O pessoal do "terceirão" levou o "tamos juntos" às últimas consequências do coração e decidiu também passar a máquina nos cabelos diante de Nicolas.

Salamandra mexicana: PRF apreende 10 'monstros aquáticos' transportados de forma irregular e sem licença em MS

- Foi uma coisa nunca vista. Em 37 anos de magistério, eu nunca vi nada igual. Até professor raspou a cabeça aos prantos. Minha filha que é colega de turma e tem os cabelos bem longos raspou a nuca - conta a coordenadora pedagógica do Colégio Adventista São José dos Pinhais, Sandra Mengue. - Eu fui informada por eles no domingo, mas achava que era uma surpresa preparada por cerca de sete a oito meninos. Mas se formou uma onda de solidariedade tão forte que atraiu mais e mais pessoas. Só o "terceirão" tem 85 alunos.

Vídeo: Polícia ambiental apreende 60 balões em cinco meses, em SP

Chuvas em Pernambuco: 'Gente, eu quero minha família', diz jovem que perdeu mais de 10 parentes em desabamento

Nicolas, que está no terceiro ano do Ensino Médio, estuda no colégio desde o sexto ano. A homenagem da turma foi na sequência de outro gesto semelhante que, por incrível que pareça, não foi combinado. Como ele vinha perdendo muitos fios com o início do tratamento quimioterápico, que já completava quinze dias, Keila Berlande, mãe de Nicolas, o levou a um barbeiro da cidade no sábado para raspar os cabelos. Mas, antes, ela esteve com o barbeiro, explicou a ele a situação e pediu que tornasse aquele momento tão duro um pouco mais leve. Ele se comprometeu a não decepcioná-la e a mãe convenceu o filho a deixar que filmasse a cena por acreditar que, no futuro, ele a enxergaria como um grande instante de superação para uma vida que seria de cura no futuro. O que ela não sabia é que o barbeiro Ronaldo, da Barbearia Ramalho, antes mesmo de começar a cortar o cabelo de Nicolas, rasparia o próprio cabelo.

Crise histórica: Matrículas das universidades federais caem pela primeira vez desde 1990

- Eu não sabia se gritava ou abraçava aquele homem. Eu nunca podia imaginar que ele faria aquilo. Quando falei sobre o que acontecia com o Nicolas, imaginei que ele conversaria com ele antes, diria algumas palavras de apoio, de conforto. Mas nunca que rasparia o próprio cabelo. No vídeo que eu fiz, o Nicolas leva um susto, chega a levantar a sobrancelhas quando vê o barbeiro raspando a cabeça. E, em seguida, o Juliano, que há anos é barbeiro do meu marido, também raspa o dele. Só depois eles cortam o cabelo do Nicolas - diz Keila, que dois dias depois ficaria ainda mais em choque com a homenagem dos amigos da escola.

Aprovado na Câmara e no Senado: Bolsonaro veta projeto que instituía Dia dos Povos Indígenas em substituição ao Dia do Índio

- Eu estava no supermercado e recebi uma ligação da minha filha Julia, de 13 anos, que também estuda lá. Ela disse: "mãe, você não sabe o que está acontecendo aqui". Eu fiquei logo em pânico porque achei que tinha acontecido alguma coisa com o Nicolas, a gente já anda preocupada. Quando ela contou, eu comecei a chorar no meio das compras, eu não conseguia parar de chorar.

Inovação: Professores estão interessados em aplicar e aprender educação empreendedora, diz pesquisa

A decisão dos amigos de colégio de apoiar incondicionalmente o amigo Nicolas começou muito antes de ele ter necessidade de cortar os cabelos em queda. Quando o rapaz revelou os detalhes da doença, um grupo de WhatsApp foi criado para planejar os próximos passos. Todos estavam de acordo que raspariam também as cabeças. No início da semana, ao saber que a quimioterapia já causava efeitos colaterais, o "terceirão" acionou o plano. Com a aprovação da direção, os estudantes inventaram uma desculpa para que Nicolas saísse da sala. Um inspetor o chamou dizendo que havia uma entrega para ele na recepção. Foi o tempo que precisaram para preparar a disposição das cadeiras para dar início ao salão improvisado com os aparelhos que ele próprios conseguiram. Quando Nicolas volta, ele fica perplexo e ganha muitos abraços. No vídeo, ao som de "Photograph", de Ed Sheeran, que traz o refrão "loving can hurt sometimes", eles mostram que o amor também pode salvar. Os cortes são feitos em série, entre sorrisos e choros, sentados em cadeiras, ajoelhados, de pé. Um raspando a cabeça do outro. Entre um corte e outro, abraços, muitos abraços.

Suspeitas: Compra de material escolar do FNDE apresentava sobrepreço de R$ 1,5 bilhão, diz CGU

- Eu não acreditava. Fui até a recepção e me disseram que tinham me confundido com outro Nicolas. Voltei para a sala e já estava tudo preparado. O meu amigo Cauan falou que eles estavam ali comigo, que não sairiam do meu lado nunca. Aquilo foi muito importante para mim. O tratamento é muito duro. Quando a gente volta da quimioterapia, bate um desânimo, às vezes não dá vontade de fazer nada. Você perde cabelo, fica triste, acha que vai ficar feio. Eu disse que, nesses momentos, eu me sinto afundando no Titanic e que eles brotaram como boias pra mim - diz Nicolas, que pretende se tornar veterinário ou advogado, mas que neste momento faz estágio na prefeitura de São José dos Pinhais, cidade com pouco mais de 300 mil habitantes que fica na Grande Curitiba.

Investigação: Senadores vão a Sergipe e PGR envia mais oito procuradores para apurar caso Genivaldo

Nicolas descobriu em 21 de março que é portador de um linfoma não-Hodgkin no mediastino de 14 centímetros. A doença foi constatada depois de o jovem passar mal de madrugada com dor no peito e ser levado para uma emergência da cidade, onde foi diagnosticada uma crise de ansiedade. Só depois uma tomografia constatou que se tratava de um tumor.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos