Empréstimo consignado no estado: dois bancos confirmam que fecharam contrato

Camilla Pontes
Bradesco: banco está com operação parcial do consignado

Alguns servidores e pensionistas ainda não conseguem solicitar novos empréstimos consignados. O governo estadual, por meio da Casa Civil, respondeu que essa é uma questão do contrato entre bancos e a empresa responsável pela gestão da margem consignável, a Talktelecom. A empresa foi contratada pelo governo, em caráter emergencial, para operar o sistema por 180 dias.

O EXTRA questionou os principais bancos e financeiras para saber qual instituição fechou contrato. A Talktelecom não quis se pronunciar sobre o tema.

O Bradesco — que possui o contrato da folha de pagamento do funcionalismo estadual — respondeu que está realizando operações de crédito consignado parcialmente. O banco não está operando eletronicamente, através dos canais digitais, somente na forma presencial nas agências.

O Banco do Brasil informou que assinou contrato com a Talktelecom e está  habilitado para a contratação e portabilidade de empréstimos para os servidores, mas está enfrentando dificuldades técnicas para iniciar as operações. "O reinício das operações depende da resolução de dificuldades técnicas, de responsabilidade dos administradores do portal", informou por meio de nota.

O EXTRA também perguntou ao Itaú, Santander, Banco Pan, que não quiseram se pronunciar. Já Caixa Econômica Federal, Crefisa e BMG não responderam até o fechamento da matéria.

As instituições bancárias declararam em outras ocasiões, por meio da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que se preocupavam com a falta de experiência da empresa Talktelecom. O EXTRA também apurou que o alerta do compliance dos bancos acendeu ao verificarem no histórico do grupo da empresa antigos sócios envolvidos em esquemas de corrupção investigado pelo Ministério Público Federal. A investigação resultou na Operação Sem Fronteiras, uma das etapas da Lava Jato.

Na ocasião, a Talktelecom disse que seus atuais sócios não possuem envolvimento em esquemas de corrupção. Já o governo estadual, comentou que adocumentação enviada pela empresa foi analisada e aprovada pela Procuradoria Geral do Estado e não mostrou que a Talktelecom possui sócios.

O governo estadual fez o negócio em caráter emergencial com a Talktelecom porque a Justiça paralisou em agosto o processo licitatório que contrataria uma empresa gestora da margem. O Tribunal de Justiça do Rio acatou um mandado de segurança impetrado por uma das empresas participantes da licitação, a Zero 8 Participações Ltda.

A relatora do processo, desembargadora Cristina Tereza Gaulia, decidiu que a licitação somente vai continuar após o julgamento do caso, que continua sem data marcada para ocorrer. A decisão da magistrada foi publicada Diário de Justiça Eletrônico do dia 7 de outubro.

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