Empreendedor, conheça taxas e condições para oferecer cashback aos clientes

Ana Clara Veloso
O empresário João Lucas Moreira oferece 10% de desconto em seus negócios

Nos endereços das grandes varejistas, o carimbo de "cashback" é cada dia mais comum. A palavra, em inglês e que significa literalmente "dinheiro de volta", identifica uma prática que virou febre. Com a ajuda de plataformas tecnológicas, empresas oferecem um percentual do preço de um produto de volta para o cliente, em um saldo digital que pode ser utilizado em futuras compras ou até mesmo depositado em conta bancária. E este benefício para o consumidor final também pode ser oferecido por pequenos empreendedores.

— Saber se vale a pena aderir, como empreendedor, a um programa de cashback depende de um estudo constante. Uma loja de sucos que vende bebidas a R$ 10 e passa a oferecer 10% de cashback ao cliente, retirado de seu próprio faturamento, passa a receber apenas R$ 8. Então, em uma conta grosseira, para a operação ser favorável, o empreendedor precisa aumentar as entradas no caixa em 11%, através da captação de clientes, da fidelização ou da alta do ticket médio. Esses possíveis resultados devem ser verificados a cada mês — explica Haroldo Monteiro, professor de Estratégias para Varejo do Ibmec.

O professor ainda atenta para a possibilidade de que não aderir a um programa traga consequências negativas para uma empresa:

— O faturamento pode não aumentar com a adesão ao programa de cashback. Mas se todos os concorrentes de um negócio oferecerem o benefício aos clientes e ele não, este certamente perderia vendas — aponta.

A artesã Bernadete Marques, de 55 anos, faz bijuterias e vende em feiras pela cidade da Rio. Em outubro do ano passado, aderiu ao Ame Digital, uma plataforma de pagamento via QR Code, que permite oferecer cashback.

— Ofereço 10% nos pagamentos feitos com Ame Digital. Vejo que as clientes ficam satisfeitas e animadas quando descobrem isso. E algumas voltam para fazer novas compras, pois sabem desse benefício — opina.

Ferramenta ajuda na disputa com os concorrentes

Para André Amaral, diretor de Estratégia do Méliuz, uma das plataformas de cashback disponíveis no Brasil, o benefício virou o mais querido dos consumidores brasileiros.

— O cashback tem um valor monetário palpável, é perceptível. Por isso, funciona como um gatilho de venda. Além disso, o consumidor coloca imediatamente aquela porcentagem oferecida de cashback na conta do custo final de um produto e sabe que está pagando menos por ele. Então, isso faz os lojistas ganharem em disputas de preço — afirma André.

O EXTRA mostra, abaixo, as condições de quatro plataformas de cashback, que atendem negócios físicos ou virtuais, cobrando ou não taxa de adesão, mensalidade ou comissão sobre as vendas realizadas. A origem do dinheiro devolvido ao consumidor pode ser a taxa paga a essas empresas ou na forma de desconto, saindo diretamente do lucro obtido fora da promoção. E ainda há benefícios acoplados em alguns planos que o empreendedor pode contratar.

— Contratando nosso pacote mínimo, o empreendedor ganha destaque nos nossos canais por alguns meses e a opção de disparo de e-mails com promoções. Como temos uma base de 9 milhões de consumidores usuários, o saldo é muito positivo para o negócio. E ainda temos planos que colocam à disposição do pequeno empreendedor nossos times de Design e Marketing, para promover campanhas promocionais e temáticas — exemplifica André Amaral.

Por isso, é preciso ser minucioso na hora de escolher um programa para se associar.

— E não existe uma receita de bolo: às vezes, o programa a aderir será escolhido pela influência que a empresa tem na região e a capacidade de divulgar os negócios parceiros. Talvez, comparando uma e outra plataforma, o empreendedor veja necessidade de se unir às duas — avalia o professor Haroldo Monteiro.

Depoimento: João Lucas Moreira

Dono da Fórmula dos Sucos e Rildy Carioca, de 28 anos

— Oferecemos cashback desde novembro nos nossos dois estabelecimentos: Fórmula dos Sucos e Rildy Carioca. Percebemos a onda e resolvemos entrar logo, pois sabemos que essas empresas que trazem novidades geralmente apresentam condições ótimas no início, para captar parceiros, e depois aumentam suas taxas. Para ser bem honesto, tenho percebido nesses meses que oferecer cashback não me trouxe muitos novos clientes. Mas os antigos mudaram a forma de pagamento, utilizando a Ame. E como a taxa que eu consegui negociar com a plataforma, de 2.35%, é maior do que a que pago para operações na máquina de cartão de crédito, 1.64%, meu lucro diminuiu. Mas sempre fica aquela dúvida: será que se eu não oferecesse cashback, o meu cliente estaria no concorrente? Então, estar dentro do sistema é melhor do que estar fora.

Conheça as plataformas

MyCashBack - Aceita pequenos e-commerces, desde que inscritos em algum programa de afiliados. Se preferir, o empreendedor também pode se filiar diretamente com a MyCashBack. Não há taxa de adesão ou mensalidade para ser um parceiro. O pagamento de uma comissão, decidida previamente pelo dono da loja virtual, é feito mediante a venda de um produto para um cliente que tenha começado sua jornada de compra fazendo login na plataforma. É dessa quantia que a MyCashBack retira até 85% para repassar ao cliente final na forma de "dinheiro de volta". Ou seja, se a loja vendeu R$ 10 e a comissão acordada foi de 10%, a plataforma receberá R$ 1, mas dará ao cliente final até R$ 0,85 de volta. Além disso, a empresa desenvolve anúncios em mídias sociais, email e banners gratuitamente para os empreendedores.

Méliuz - Aceita o cadastro de qualquer e-commerce, que paga taxas proporcionais ao seu porte e faturamento. O microempreendedor, por exemplo, tem custo médio de R$ 400 para sua integração inicial e mensalidade de R$ 99,90, além de uma variável por vendas iniciadas na plataforma, ou seja, o cliente precisa acessar o e-commerce através do Méliuz. Em troca do investimento, o e-commerce é divulgado em diversos canais online e o dinheiro que retorna ao consumidor é garantido. Porém, há algumas metas de vendas e programas de incentivo que podem garantir a isenção de taxas ao empreendedor.

Ame Digital - A Ame Digital faz parceria com lojas físicas e online de variados portes, sem cobrar taxa de adesão, nem mensalidade. Esta é uma ferramenta para pagamento via QR Code, que permite ao empreendedor vender usando somente seu celular e pagando uma taxa de 2,49%. Segundo o EXTRA apurou, no entanto, a plataforma admite negociação com negócios maiores. A Ame Digital pode investir, em conjunto com o empreendedor, em cashback para os clientes finais, mas não divulgou qual é o modelo da divisão.

BeBlue - Apesar de aceitar pequenos empreendedores, a plataforma indica que o empreendedor tenha um mínimo de R$ 20 mil de faturamento ao mês no cartão para uma melhor resposta do negócio. Atualmente, foca em parcerias com negócios de gastronomia, farmácia, combustível e mercados. Existe uma cobrança de assinatura para utilização da plataforma, baseado no volume transacionado nela, e o valor devolvido ao consumidor final é um investimento bancado pelo empresário para fidelizar seu cliente.

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