Empreendedores de Niterói criam rede de apoio para superar a crise

Natália Boere

NITERÓI - Ruas vazias, comércio fechado. O coronavírus impôs isolamento à população e preocupação a empresários que dependem do público para sobreviver. Em Niterói, empreendedores resolveram oferecer ajuda a colegas para tentar amenizar os impactos em seus negócios causados pela pandemia. O especialista em marketing Marcos Brito, sócio da agência de publicidade Creartcode, disponibilizou-se a prestar consultoria gratuita, através de seu perfil no Instagram (@marcoscbrito), a quem precisar reinventar sua empresa para resistir ao período de adversidade. E o grupo Somos Empreendedoras, uma rede colaborativa formada por 150 mulheres que empreendem nos mais diversos setores, resolveu fazer lives também em seu perfil no Instagram (@somosempreendedoras), com especialistas que falarão sobre gestão de crise.

— A primeira coisa a se fazer neste momento é planejamento. Estar em contato com os funcionários para entender quais são os problemas, escaloná-los e criar soluções para cada um. Em seguida, fazer um plano de ações: o que, com quem, em que prazo, a que custo e o que se espera delas... E partir para a prática, monitorando os resultados com periodicidade para, se for o caso, reavaliar decisões — ensina a empresária Taiana Jung, sócia da Logos Consultoria e uma das gestoras do Somos Empreendedoras.

Para segunda-feira (30), às 17h30m, está programada uma live sobre como ser um líder resiliente — ao mesmo tempo forte e flexível — e proteger o seu negócio durante a crise. O debate terá a participação da escritora e empresária Tatyane Luncah, CEO da agência de marketing Projeto. O grupo ainda fará transmissões ao vivo no Instagram com dicas de meditação e aulas de ginástica para ajudar seguidores a cuidar também do corpo e da mente. Nesta sexta-feira, às 8h, tem treino funcional guiado com a educadora física Debora Olmos.

As integrantes do Somos Empreendedoras também têm discutido soluções para a crise entre si, através de happy hours digitais. O objetivo é trocar ideias e buscar inspiração umas nas outras, diz a empresária Thais Garcia, também gestora do grupo e sócia da gráfica Printmill, que viu a demanda de seu negócio cair em 90% após o avanço do coronavírus.

— Foi bem impactante porque, de uma hora para outra, todo mundo deixou de sair de casa e passou a se comunicar digitalmente. O papel deixou de ser essencial. Atendíamos multinacionais que encomendavam muitos materiais, como cartilhas e livros. Mas acreditamos que as necessidades vão mudar, a demanda por propaganda impressa deve diminuir ainda mais. Estou tentando entender as transformações do mercado para me preparar para o pós-quarentena e talvez captar clientes diferentes — diz Thais.

Ela conta que uma das sugestões que recebeu no happy hour foi passar a produzir kits infantis de desenho, para famílias brincarem com seus filhos, e fotolivros, para guardarem memórias. E que uma colega que tem uma loja de brinquedos passou a fazer entregas em domicílio.

A hora é mesmo de se reinventar, afirma o especialista em marketing Marcos Brito, que se colocou à disposição para qualquer empreendedor que precise de ajuda para repensar seu negócio.

— Uma loja de roupas de ginástica tinha como diferencial deixar sacolas com produtos na casa dos clientes, para eles escolherem o que queriam. Isso acabou. Agora é preciso fortalecer o comércio on-line. Fiz uma lista com sugestões de correções para melhorar a experiência dos usuários dentro do site da loja e ajudar a vender o estoque. Se a experiência virtual não for agradável e rápida, o cliente acaba não comprando — explica Brito.

Em uma semana, ele já conversou com 20 empresários em busca de ajuda. Sugeriu, por exemplo, que uma hamburgueria doasse caixas de álcool gel ao projeto social Sempre Criança, que promove atividades voltadas para crianças de comunidades de Niterói, a cada cota de sanduíches vendida.

— Este é o momento de estabelecer um relacionamento com o cliente, trazer ele para perto. Usar o seu negócio para colaborar com o problema que estamos enfrentando, porque, no futuro, isso vai trazer um retorno —- diz Brito, com a experiência de quem reposicionou a própria empresa diante da crise econômica de 2015 e venceu.

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