Empresário compra álcool gel para distribuir em Copacabana

Gilberto Porcidonio
Empresário compra álcool gel para distribuir em Copacabana

RIO — Durante uma crise, há quem enxergue o momento como uma oportunidade para lucrar e, outros, para ajudar o próximo. O empresário Rafael Soares, de 36 anos, faz parte do segundo time. Morador de Copacabana, Rafael trabalha em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, e foi lá que encontrou uma loja vendendo quatro litros de álcool gel por R$ 75. Na mesma hora o empresário comprou o material, além de bisnaguinhas de 30 ml para preparar frascos a serem distribuídos em Copacabana.

— Eu ficava vendo todo dia, nos grupos de internet, quatro ou cinco postagens de gente que não estava conseguindo comprar álcool gel, além daqueles que cobram valores exorbitantes. Cheguei a ver um pote de 400ml por R$ 84 em um site, e o camelô, quando tem, vende entre por R$ 30 a R$ 40 — disse.

Compartilhe por WhatsApp:clique aqui e acesse o guia completo com tudo sobre coronavírus.

Com a ação, o Whatsapp de Rafael não para. Os pedidos que chegam são, principalmente, para idosos, pais de filhos recém nascidos e de quem não conseguiu comprar nas lojas e farmácias. E todo mundo acha estranho o fato de que seja uma doação e não uma venda

— Eu acho meio absurdo alguém querer se aproveitar de uma situação em um momento que a gente deveria se unir e um cuidar do outro para que isso passe logo. Mesmo sendo empresário, o cuidar vem antes do lucrar. — acredita Rafael.

As bisnagas do álcool gel foram distribuídos em frente a Praça Sarah Kubitschek, em Copacabana. Tudo foi preparado pelo empresário e sua filha de 9 anos, Laura, que se orgulha muita atitude do pai.

— As palavras ensinam mas o exemplo arrasta. Ela ficou muito impressionada e adorou essa responsabilidade de encher essas bisnaguinhas. Crianças adoram essas responsabilidades — disse o empresário.

E o exemplo é contagiante. Agora, mais duas pessoas pediram o endereço da loja em que Rafael comprou o material, mas ele só revela com uma condição:

— Só revelo se as pessoas doarem, pelo menos, a metade para quem precisa. Assim, está virando uma corrente do bem. Essa crise via passar muito mais rápido de cada um de nós fizer a sua parte.