Empresário confirma que financiou instituto que negociou vacinas contra a Covid-19

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 03.03.2021 - Retrato do empresário Otávio Fakhoury, apoiador do governo Bolsonaro e alvo dos inquéritos do STF sobre Fake News. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 03.03.2021 - Retrato do empresário Otávio Fakhoury, apoiador do governo Bolsonaro e alvo dos inquéritos do STF sobre Fake News. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O empresário bolsonarista Otávio Fakhoury reconheceu em depoimento à CPI da Covid que financiou o Instituto Força Brasil, que entrou no radar da CPI da Covid por ter tentado intermediar a negociação de vacinas contra a Covid-19.

Fakhoury é vice-presidente do instituto, mas alegou que é uma posição "simbólica", sem atividades de gerenciamento. Estaria ocupando o cargo apenas por causa das doações que realizou.

"O [coronel] Helcio [Bruno] já o tinha [conhecimento] de forma informal. No ano passado, ele me procurou porque queria formalizar o instituto e me apresentou os estatutos", afirmou.

"Eu combinei, prometi fazer um aporte no instituto para custear, custear o instituto por um período até que ele estivesse operando e estivesse com a captação, estivesse com os membros para que ele pudesse andar por conta própria", completou.

Fakhoury ainda afirmou que não sabia quem seriam os responsáveis no instituto por publicações negacionistas.

"O Instituto Força Brasil, a executiva, os executivos que o comandam ficam em Brasília. Eu tinha uma posição institucional em São Paulo, então, eu não participava da gestão de nada ou do dia a dia do instituto", completou.

GABINETE DO ÓDIO

Fakhoury reconheceu que conhece algumas pessoas apontadas como integrantes do gabinete do ódio, entre elas o assessor internacional da Presidência, Filipe Martins. No entanto, afirmou que esse aparato não existe, "é um meme".

Fakhoury disse que integrou um grupo em 2019 que teria como intuito discutir política e depois reportagens apontaram que se tratava de um gabinete que receberia ordens do Palácio do Planalto e que teria como objetivo denegrir adversários.

"Eu não vi com as pessoas que conversei indícios disso", afirmou. "Se existe [um gabinete do ódio], eu não faço parte", declarou Fakhoury.

ATAQUES A MEMBROS DA CPI

Durante depoimento de Fakhoury, o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), perguntou se o depoente iria retirar e pedir desculpas pelos ataques proferidos em redes sociais contra membros do colegiado.

Mais cedo, o empresário foi confrontado pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES) sobre um ataque homofóbico contra ele. Fakhoury então pediu desculpas.

Quando Randolfe o inquiriu, o empresário afirmou que não iria se retratar e disse que os afetados poderiam recorrer à justiça para buscar reparação.

O senador então pediu o compartilhamento das postagens do empresário e demais materiais denunciados pela comissão por "linguagem de ódio" para que sejam incluídos no inquérito das fake news, instaurado pelo Supremo Tribunal Federal.

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