Empresário Mário Peixoto teve ascensão durante os governos de Cabral e Pezão

RIO - A relação de empresário Mário Peixoto, preso nesta quinta-feira, com o governo do Rio veio à tona em 2014. Na época, foi revelado que ele e suas empresas tinham R$ 480 milhões em contratos, alguns sem licitação e quase todos com aditivos (70%). Ele, que era amigo dos ex-deputados estaduais Paulo Melo e Jorge Picciani, teria enriquecido durante os governos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

Além das licitações que tinha com o governo estadual, à época Peixoto tinha contrato com as prefeituras de Queimados e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Maricá, na Região Metropolitana e da capital. Todas elas eram comandadas por prefeitos aliados ao governo do estado. Só no Rio e em Caxias eram R$ 281 milhões em contratos.

Peixoto aparecia nas contas do Estado em várias empresas em seu nome e também de irmãos e funcionários. Eles estavam em listas de pagamentos, em contratos de prestação de serviços de auxílio administrativo e operacional, limpeza, vigilância e de auditoria contábil.

Casamento em castelo na Itália

Em 24 de maio de 2014, Mário Peixoto se casou no castelo Orsini-Odescalchi, uma constrição medieval do século XV em Bracciano, ns Itália. O local já havia sido cenário, em 2006, da união dos atores Tom Cruise e Katie Holmes. O casamento de Peixoto foi no jardim do castelo. A celebração teve 50 convidados, entre eles o então presidente da Assembléia Legislativa da (Alerj), Paulo Melo. Ele foi padrinho do casamento, assim como o também ex-presidente da Alerj Jorge Picciani. Pezão - réu na Lava-Jato, acusado de participar de um esquema de corrupção chefiado por Cabral, de quem foi vice - também estava no casamento de Peixoto.

Paulo Melo já havia sido preso antes e foi novamente detido nesta quinta, suspeito de integrara uma organização criminosa que desviou R$ 3,9 milhões dos cofres públicos em compras superfaturadas na área de saúde.

Já Picciani foi preso em 2017, acusado de receber um "mensalinho": propinas mensais que variavam de R$ 20 mil a R$ 100 mil - além de cargos - para votar de acordo com o interesse do governo.