Empresários cobram retomada de MP da redução da jornada para não haver 'onda de demissão devastadora'

João Sorima Neto
·2 minuto de leitura

Empresários cobraram a retomada da MP 936 na noite de segunda-feira, durante encontro com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), na casa de Washington Cinel, dono da empresa de segurança Gocil, em São Paulo.

Segundo Flavio Rocha, dono da Riachuelo, se o setor varejista não for autorizado a fazer a redução de jornada de trabalho e salários, pode haver uma "onda de demissões devastadora".

— Estamos com água no nariz. É preciso que o governo reedite a MP 396, e os sindicatos homologuem logo os acordos, sob o risco de termos uma onda de demissões devastadora. É preciso uma definição urgente do governo — disse Rocha ao GLOBO.

Além dele, outro representante do setor, o empresário Abilio Diniz, acionista do Carrefour, participou da reunião de forma virtual. Apesar da cobrança pela MP, Rocha disse que vê um alinhamento no Congresso em torno das pautas mais urgentes para o Brasil.

Rocha disse que, além da preocupação com os empregos, também foi discutida a vacinação contra a Covid-19 no país e como o setor privado poderia ajudar.

O dono da Riachuelo observou que ficou uma impressão muito ruim para a opinião pública de que os empresários queriam comprar vacinas, imunizar seus funcionários e furar a fila dos grupos prioritários no país, quando foram tornadas públicas, em fevereiro, iniciativas do tipo.

— Estamos numa guerra biológica e econômica. É preciso que os recursos escassos (as vacinas) sejam divididos entre todos, idosos, crianças e 'quem está com o fuzil na mão' na linha de frente da guerra econômica - afirmou o empresário.

E acrescentou:

— A iniciativa privada gostaria de adicionar novas doses de vacinas, com a contrapartida de doar uma parte delas (ao SUS). Mas fomos convencidos, neste momento, que não há onde buscar vacinas. Se fossem abertas novas frentes de comercialização, haveria um leilão de preços — afirmou.