Banqueiro do Itaú e presidente do Magazine Luiza assinam manifesto pela democracia

Urnas eletrônicas são preparadas para as eleições de 2018, em Curitiba

(Texto atualizado com declaração de empresário Guilherme Leal)

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - Banqueiros e empresários assinaram nesta terça-feira um amplo manifesto a favor da democracia e do sistema de votação brasileiro no qual, sem citar nominalmente o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), apontam a existência de um "imenso perigo para a normalidade democrática".

No documento, os signatários mencionam ainda "ataques infundados e desacompanhados de provas" contra o sistema eleitoral e "insinuações de desacato ao resultado das eleições".

Juristas, professores e personalidades endossam o texto organizado pela Faculdade de Direito da USP, em que há também a inusual adesão de gigantes do setor empresarial, um termômetro das tensões que cercam a campanha para as eleições de outubro.

Entre os signatários, estão Roberto Setubal, co-presidente do Conselho do Itaú Unibanco e membro de uma das famílias controladoras do maior banco privado do país; Horacio Lafer Piva, conselheiro da Klabin; Eduardo Vassimon, presidente do Conselho do Grupo Votorantim; Guilherme Leal, copresidente do Conselho da Natura&Co; e Walter Schalka, presidente da Suzano. Frederico Trajano, presidente-executivo da Magazine Luiza, também assinou o documento, de acordo com a sua assessoria de imprensa.

"Neste momento, deveríamos ter o ápice da democracia com a disputa entre os vários projetos políticos visando convencer o eleitorado da melhor proposta para os rumos do país nos próximos anos. Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições", afirmam os signatários do manifesto.

"Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o Estado Democrático de Direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças aos demais Poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional."

Com frequência, Bolsonaro lança alegações falsas e suspeitas sem base contra o sistema eletrônico de votação e também ataca membros do Poder Judiciário, como os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. O presidente também tem se recusado a responder se aceitará o resultado da eleição caso seja derrotado nas urnas.

Para Guilherme Leal, da Natura&Co, "o questionamento das urnas é inaceitável".

"Em um momento tão crítico como o atual, devemos, como cidadãos, nos manifestar pela defesa incondicional da democracia e do processo eleitoral, condição básica para o desenvolvimento de nossa sociedade. Só a democracia permite o diálogo necessário para a construção de um país mais próspero e inclusivo”, acrescentou Leal.

Bolsonaro aparece atualmente em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para a eleição de outubro, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as sondagens com folga.

O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, comentou a carta em uma publicação no Twitter, em que afirmou que "agora os banqueiros podem até assinar manifestos contra o presidente pois sabem que não serão perseguidos", em referência ao fato de o Banco Central ter se tornado independente.

No manifesto, as lideranças empresariais também expressam confiança no sistema eleitoral.

"Nossas eleições com o processo eletrônico de apuração têm servido de exemplo no mundo. Tivemos várias alternâncias de poder com respeito aos resultados das urnas e transição republicana de governo. As urnas eletrônicas revelaram-se seguras e confiáveis, assim como a Justiça Eleitoral", afirmam.

Os signatários prometem ainda, ao final do manifesto, combater tentativas de abalar o Estado Democrático de Direito.

"Nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar ao lado divergências menores em prol de algo muito maior, a defesa da ordem democrática", afirmam.

"No Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições. Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona: Estado Democrático de Direito sempre!"

(Reportagem de Lisandra Paraguassu, Alberto Alerigi Jr. e Aluísio Alves; Texto de Eduardo Simões; Edição de Pedro Fonseca e Flávia Marreiro)

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