Empresa de bitcoin, alvo de operação da PF, estava no radar da Civil desde a morte do investidor e influenciador digital

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A GAS Consultoria Bitcoin, assim como a Winzer Cooperativa e a Consultoria Black Warrior, e outras dez empresas que, supostamente, funcionam como pirâmide, já estavam também no radar da Polícia Civil desde a morte do investidor e influenciador digital Wesley Pessano Santarém, de 19 anos, executado a tiros em São Pedro da Aldeia, no começo do mês. No entanto, a força-tarefa da Civil pouco avançou na investigação e acabou sendo atropelada pelo inquérito da Polícia Federal.

Nesta quarta-feira, a GAS Consultoria Bitcoin é alvo da Polícia Federal na operação Kryptos para desarticular uma organização criminosa responsável por fraudes bilionárias envolvendo criptomoedas. São dois mandados de prisão temporária e 15 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e no Distrito Federal. Entre os presos está o dono da empresa, Glaidson Acácio dos Santos. Na casa dele foi encontrado o montante de cerca de 20 milhões, entre reais, euros e dólares. O dinheiro foi levado em malas de viagem para a sede da PF.

A Civil investiga crimes ligados a transações de moedas virtuais e mira empresários que atuam nessa modalidade em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Pelo menos duas empresas, a Winzer Cooperativa e a Consultoria Black Warrior, são acusadas de aplicarem golpes em investidores em diversas cidades daquela região.

O Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD) estuda as movimentações de empresários em contas bancárias e contam com o auxílio de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs).

Uma das linhas de investigação da morte de Pessano é a guerra de mercado de investimento que acontece em Cabo Frio. Até agora, três pessoas — que estariam ligadas com o assassinato — foram presas.

O suspeito de ser o contratante dos executores do investidor e influenciador digital foi encontrado em Rio das Ostras. Um dos executores e o motorista do carro usado no crime foram presos na Vila da Penha, na Zona Norte do Rio. Os investigadores procuram informações sobre quem mandou matar o rapaz. De acordo com as informações da Polícia Civil, há indícios de que o mesmo carro que matou Wesley foi o que tentou matar um empresário em Jardim Esperança, em junho.

Na mira da PF

De acordo com a investigação, a empresa de Glaidson, com sede na Região dos Lagos, é responsável pela operacionalização de um sistema de pirâmides financeiras ou "esquemas de ponzi", calcado na efetiva oferta pública de contrato de investimento, sem prévio registro junto aos órgãos regulatórios, vinculado à especulação no mercado de criptomoedas, com a previsão de insustentável retorno financeiro sobre o valor investido.

Nos últimos seis anos, a movimentação financeira das empresas envolvidas nas fraudes apresentou cifras bilionárias, sendo certo que aproximadamente 50% dessa movimentação ocorreu nos últimos 12 meses, diz a PF. Glaidson prometia lucros de 10% ao mês nos investimentos em bitcoins, mas os investigadores afirmam que a GAS nem sequer reaplicava os aportes em criptomoedas, enganando duplamente os investidores.

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