Empresa brasileira cria touca de natação para cabelos afro

Touca destinada ao público afro faz com que pessoas negras tenham maior acesso ao esporte. Foto: Divulgação

Em busca de maior diversidade nas piscinas, o empresário Maurício Delfino criou a marca Da Minha Cor em janeiro de 2018 e passou a vender toucas de natação de tamanhos que comportam o cabelo afro. De acordo com ele, como o uso da peça é obrigatório para quem vai praticar o esporte, muitas crianças com cabelos afro ficavam de fora da atividade.

“Assim que comecei meu negócio, ele já nasceu com um propósito: dar acesso à população negra às piscinas do Brasil. Eu acho que esse é o meu caminho. Lancei um negócio que daqui duas ou três Olimpíadas vai ter uma menina negra que vai falar que tomou gosto pelo esporte a partir de uma touca”, afirmou o empresário.

Em entrevista ao Yahoo, Maurício afirma que sempre teve a intenção de abrir seu próprio negócio, mas que não sabia exatamente o que gostaria de fazer. Porém, ao sair de seu último emprego, em junho de 2017, ele decidiu que iria fazer algo inovador e inspirador.

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“Aí eu pensei que touca não existia no Brasil. Tem na Austrália, nos Estados Unidos. Mas no Brasil não tinha. Aí eu sentei com empresários que eu já conhecia para esses caras criticarem esse modelo de negócio. Todo mundo disse que precisava ser alguma coisa inovadora, que tivesse boa qualidade e que fosse genuína”, explicou.

Hoje, o empresário vende a touca para todo o Brasil e para países como Estados Unidos, Portugal, Moçambique e França. Segundo ele, os tamanhos das toucas vão desde as infantis até as extra grandes. E os preços das peças variam de R$ 34,90 a R$ 69,90.

“Cada uma delas vai ficando maior dependendo do cabelo. Uma touca comum de mercado custa por volta de R$ 10 e, em quase dois anos de empresa, eu nunca recebi uma mensagem dizendo que a touca era cara. Muito pelo contrário. Eu recebo mensagens emocionantes”, explicou.

Segundo o empresário, ele sempre recebe mensagens de clientes que dizem que passaram a fazer natação após conhecer a marca. “É um negócio que quebra barreiras. Eu sempre costumo falar de uma menina que chama Sofia e é nossa cliente. A professora falou para ela que ela não poderia participar de um campeonato por ela ter cabelo com tranças. Ela ia tirar as tranças para participar. Mas a dona do salão tinha ouvido falar de mim”, disse.

“Ela foi minha primeira cliente e ela ganhou uma medalha de ouro e uma de prata no campeonato. É uma menina de 12 anos que fez sua malinha, participou e ganhou. Isso é o que me dá satisfação. Esse é o propósito da minha empresa”, explicou o empresário.

Maurício Delfino, dono da marca, diz que lema da empresa é “as piscinas também são nossos lugares”. Foto: Divulgação

De família de pai branco e mãe negra, Maurício lembra que, quando era criança, vivia em uma casa majoritariamente habitada por mulheres negras. “Minha bisavó nasceu no dia da libertação dos escravos. Por três gerações eu não estava lá também. Eu cresci em um ambiente feminino”, afirmou relembrando dos domingos em que as mulheres da sua família se reuniam para alisar o cabelo depois do almoço.

Além disso, o empresário relembra os pedidos de cosméticos que ele sempre recebia das parentes quando ele ia viajar. “Toda vez alguma delas pedia para eu trazer uma coisa que não tinha no Brasil ou que até tinha, mas era caro”, disse.

Linha de maquiagens foi toda pensada para os diversos tons de pele negra. Foto: Divulgação

Pensando nessa outra necessidade das mulheres de pele negra, Maurício também lançou uma linha de maquiagens destinadas para os vários tons de pele negra. “A minha mãe tem muito orgulho. Eu nasci em Carapicuíba, em um conjunto habitacional. Meus amigos de infância estão mortos ou presos. Eu sou uma exceção. Mas sozinho você não chega em lugar nenhum. Um monte de gente me ajudou”, constatou.

Veja o depoimento de Sofia: