Empresa canadense negocia parcerias para uso do 'plástico social' no Brasil

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RIO - De olho na economia verde e nos investimentos de impacto social, a canadense Plastik Bank - que atua na coleta de plásticos - prepara expansão no Brasil e negocia parcerias para o uso do chamado plástico social, feito a partir de material reciclado recolhido por pessoas em condições de vulnerabilidade.

Criada em 2013 por David Katz, a empresa chegou ao país há dois anos e escolheu o Rio de Janeiro como ponto de partida para os negócios. Hoje, mantém 23 pontos de coleta, incluindo os de São Paulo e Espírito Santo. Para 2022, a meta é chegar a outras regiões, como Nordeste e Sul. Já há conversas no Ceará e no Rio Grande do Sul.

A Plastik Bank une duas pontas. De um lado, identifica os coletores; de outro as empresas de reciclagem que vão comprar esse plástico e vendê-lo no mercado. A mediação entre a reciclagem e o consumidor final também passa pela canadense. No exterior, gigantes como a americana SC Johnson e a alemã Henkel estão entre os cliente.

App com tecnologia blockchain

A Plastik Bank organiza as atividades dos coletores e o caminho do plástico até o usuário final dentro de um aplicativo próprio, desenvolvido com tecnologia blockchain em parceria com a IBM. A plataforma permite que os coletores cadastrem a quantidade de plástico vendida e todo o caminho, da venda ao processador, é acompanhado em tempo real.

Em paralelo, a empresa mantém o serviço de compensação pelo uso do plástico, que funciona de forma similar ao mercado de carbono.

A canadense avalia a pegada de plástico das companhias - ou seja, quanto plástico elas usam - e, com base no cálculo, retira quantidade equivalente do meio ambiente para que seja reciclado. Assim, empresas podem se tornar “plástico neutro”.

Em dois anos de atuação no Brasil, já foram coletadas mil toneladas de plástico que chegariam ao oceano. Até 2021, a Plastic Bank expandiu as atividades para países como Indonésia, Filipinas, Egito, Camarões, Tailândia e Vietnã. Na América Latina, os olhares da empresa se voltam apenas para o Brasil.

Rio foi ponto de partida

A escolha pelo Rio para começar as atividades no país se deu por características específicas: muita produção de lixo plástico, avançado sistema de reciclagem e profunda desigualdade social.

— Há demanda nos dois lados. Tem cada vez mais coletores querendo entrar no serviço da Plastic Bank para expandir a renda e, por outro lado, cada vez mais empresas querendo usar o plástico social em seus produtos — diz Helena Pavese, diretora-geral para a América Latina.

Depois que se tornaram colaboradores da empresa, os coletores fluminenses viram crescimento de até 40% na renda mensal, enquanto os capixabas dobraram a renda desde o começo da atuação no estado, em setembro.Além do valor da venda do plástico aos pontos, cada pessoa cadastrada recebe um bônus de R$ 0,35 por quilo vendido.

— Os coletores são moradores de rua ou de comunidades, e precisam desse recurso para se sustentar. Temos casos de mães com seis filhos que dependem desse dinheiro — afirma Helena.

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