Empresa de carros voadores da Embraer chega à Bolsa em maio e pode valer mais que sua controladora

SÃO PAULO - A Eve, empresa da Embraer voltada ao desenvolvimento de eVTOLs, veículos de pouso e decolagem vertical, mais conhecidos como “carros voadores”, deverá concluir a operação de abertura de capital na bolsa de Nova York em maio próximo, informou o presidente da fabricante de aviões, Francisco Gomes Neto, durante apresentação dos resultados da companhia nesta quinta-feira. A operação atribui valor de mercado para a Eve estimado em US$ 2,4 bilhões.

Se esse número se confirmar durante o lançamento das ações, a empresa de carros voadores poderá chegar ao pregão valendo mais do que a própria Embraer, cujo valor de mercado atual é de US$ 1,9 bilhão, segundo levantamento feito pela Economática a pedido do GLOBO.

- A conclusão do negócio da Eve está prevista para o mês de maio. A listagem da Eve na Bolsa de Nova York trará mais inovação para o desenvolvimento do ecossistema de mobilidade aérea urbana - disse Neto, lembrando que o investimento total previsto na Eve é de US$ 500 milhões, incluindo o aporte de investidores estratégicos, da Zanite Acquisition, uma empresa com foco em aviação criada para captar investimentos e que se fundirá com a Eve, e da própria Embraer.

A empresa de carros voadores chegará à bolsa americana com uma carteira de pedidos robusta. Até janeiro deste ano, havia encomendas de 1.735 unidades, avaliadas em US$ 5,2 bilhões. Com mais duas encomendas em fevereiro e março, as encomendas passam de 2 mil unidades. A expectativa é que os Evtols comecem a operar em 2026.

Em fevereiro, a Eve anunciou mais dois contratos para a entrega de até 90 aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical com empresas da Austrália, a Aviar e HeliSpirit, que oferecem serviço de fretamento de aeronaves, e Microflite, operadora de helicópteros. Em março, novo contrato anunciado prevê entrega de mais 200 carros voadores para a americana Global Crossing Airlines.

Neto afirmou que a Eve contará com o suporte estratégico da Embraer, acesso à infraestrutura e ampla experiência em certificação e fabricação de aeronaves. A Eve terá ainda à sua disposição a rede global de serviços e suporte da fabricante de aviões brasileira , além do corpo de engenheiros da Embraer, considerado um grande diferencial, disse o presidente da Embraer.

No primeiro trimestre deste ano, o prejuízo líquido ajustado da Embraer totalizou R$ 428 milhões, frente aos R$ 522,9 milhões no primeiro trimestre de 2021. O prejuízo atribuído aos acionistas ficou em R$ 170,7 milhões, 65% a menos do que no mesmo período do ano passado, quando o número chegou a R$ 489,8 milhões.

A Embraer entregou menos aeronaves tanto no segmento comercial, quanto executivo, nos primeiros três meses do ano. Por conta da reintegração dos sistemas de aviação comercial à empresa, em janeiro, as unidades da Embraer no Brasil ficaram fechadas por 30 dias. A reintegração aconteceu após o fim das negociações para vender a unidade à Boeing. Todas as divisões tiveram queda de receita, exceto a de prestação de serviços.

No mês passado, a Embraer anunciou um programa para converter seus jatos de passageiros E190 e E195 em cargueiros, entrando para o mercado de transporte aéreo de carga, e atendendo a nova demanda gerada principalmente pelo e-commerce. Com isso, a fabricante brasileira esperar elevar receitas.

Segundo os analistas Ilan Arbetman e Tadeu Lourenço, da Ativa Investimentos, entregando 14 jatos neste primeiro trimestre (seis comerciais e oito executivos, a Embraer teve receitas líquidas abaixo das expectativas. Segundo eles, a grande novidade do período foi o anúncio da conversão de jatos de passageiros em aviões de carga.

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