Empresa de eventos dá calote milionário e não entrega festas em SP e RJ

Bluemoon disse que está se reunindo com possíveis investidores para cumprir acordos (Getty Images)
Bluemoon disse que está se reunindo com possíveis investidores para cumprir acordos

(Getty Images)

  • Empresa de eventos dá calote em clientes de SP e RJ ao suspender festas;

  • Estima-se que a Blueemon tenha 400 clientes prejudicados e rombo de mais de R$ 30 milhões;

  • Delegada trabalha com suspeita de estelionato, mas ainda não é possível confirmar crime.

A Bluemoon, empresa de eventos, está sendo acusada de dar um calote milionário nos clientes que contrataram seus serviços em São Paulo e no Rio de Janeiro. Sem conseguir entregar as festas prometidas, a companhia transformou celebrações de quem levou anos para juntar dinheiro em uma verdadeira dor de cabeça.

É o caso de Rafael e Pâmela, que sonham com a festa de 15 anos da filha Maria Clara. O casal revelou ao Fantástico, exibido pela TV Globo, que começou a economizar há cinco anos, quando a jovem ainda tinha 10 anos de idade. “Desde que eu soube que era menina, o sonho dos 15 anos estava presente. E todo mundo falava: ‘Nossa, festa da Maria Clara é uma maravilha, imagina a de 15 anos como vai ser’”, contou a mãe.

Os problemas da Bluemoon aumentaram em julho, quando os fornecedores começaram a se descredenciar por falta de pagamento. Segundo uma funcionária, a empresa pagava um ou dois dias antes dos eventos, sendo que o comum é de 15 a 30 dias de antecedência. “O último casamento que eu fiz foi no dia 24 de junho”, contou ao Fantástico.

A situação caótica não para por aí. A Bluemoon também deve salários, comissões e direitos trabalhistas a funcionários, que estão “sendo massacrados pelas noivas como se [fossem] coniventes”, disse uma trabalhadora. Ela tentou se demitir por e-mail - sem sucesso – e pediu à empresa que soltasse uma nota tirando a responsabilidade das costas dos funcionários.

Calote milionário e suspeita de estelionato

Os pais de Maria Clara estão longe de serem os únicos afetados. O casal Antônio e Sheila rasparam a poupança e pediram empréstimo no banco para pagar o casamento da única filha; Raphael, que começou há pouco tempo a vida ao lado de Cynthia, estava trabalhando em três empregos para bancar a sonhada festa e sacrificou até mesmo o final de semana.

Esta histórias fazem parte das centenas descobertas por Rodrigo e João, também clientes da Bluemoon. O casal, que planeja o enlace para o ano que vem, já pagou mais de R$ 23 mil à empresa e decidiu criar um grupo no WhatsApp com mais de 200 casais prejudicados. Eles, no entanto, estimam que o total de atingidos chegue ao dobro disso.

“Os casamentos giravam em torno de R$ 80 mil. Se a gente pega esses 400 e faz a conta multiplicando por R$ 80 mil, a gente tem um rombo de mais de R$ 30 milhões”, analisa Rodrigo.

Herivaldo e Zilda também colocaram a mão na massa contra a empresa, mas na delegacia. O casal completa 60 anos de casados em 2023 e deseja celebrar Bodas de Diamante. Depois de pagar R$ 17 mil à Bluemoon, a festa foi suspensa. A ocorrência deles soma-se a outras 40 nas delegacias.

“A gente está no início das investigações, ouvindo os sócios, ouvindo as vítimas. É cedo para afirmar, mas estamos trabalhando com a hipótese de estelionato”, apontou a delegada.

Em nota ao Fantástico, a Bluemoon disse que as acusações não se justificam e fomentaram o bloqueio de seus ativos financeiros. Também destacou que tem se reunido com potenciais investidores para cumprir seus compromissos com clientes, colaboradores e fornecedores, mas que considera provável pedir falência destinando bens e demais recursos para pagar dívidas "na medida do possível".

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos