Empresa diz que não distribuiu ‘Bolsovoucher’ para atos

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Vídeo publicado nas redes sociais cita a empresa Jacto; apoio financeiro foi feito por ex-presidente do grupo (Foto: Twitter/Reprodução)
Vídeo publicado nas redes sociais cita a empresa Jacto; apoio financeiro foi feito por ex-presidente do grupo (Foto: Twitter/Reprodução)
  • Vídeo mostra manifestantes recebendo dinheiro para protestos bolsonaristas

  • Grupo Jacto nega ter financiado manifestantes

  • Em entrevista, ex-presidente da companhia confirmou auxílio financeiro

Circula nas redes sociais um vídeo que mostra manifestantes bolsonaristas dentro de um ônibus recebendo ajuda financeira para participarem dos atos com pautas antidemocráticas, no dia 7 de setembro, em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

No registro de 43 segundos, que tem sido compartilhado no Twitter e Instagram, um homem aparece em pé andando pelo corredor do ônibus, enquanto o narrador do vídeo diz: “Grupo Jacto vem aí” e “Nishimura vem aí. Olha isso, cara! Eu achei que era brincadeira. Uma camiseta pra cada um, mais o ônibus, mais R$ 100 para alimentação. Esse é o nosso Grupo Jacto de Pompeia”, referindo-se à empresa agrícola cuja sede fica no município paulista de Pompeia.

Em nota publicada no site, o Grupo Jacto nega ter financiado o envio de manifestantes para o ato bolsonarista: "a empresa não apoia candidatos ou partidos políticos de nenhuma corrente doutrinária, seja na esfera federal, estadual ou municipal", diz o comunicado.

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A Jacto foi fundada na cidade paulista de Pompeia pelo imigrante japonês Shunji Nishimura, que chegou ao Brasil em 1932. No vídeo, é citado o sobrenome Nishimura, fazendo referência ao empresário Takashi Nishimura, ex-presidente da empresa e filho do fundador do Grupo Jacto. Atualmente, Nishimura é acionista da companhia. A assessoria de imprensa do Grupo Jacto disse à reportagem que “Takashi Nishimura atualmente não exerce cargo no Grupo Jacto, nem no conselho”.

Na gravação é possível identificar o nome da empresa Santo Antônio Turismo escrito na capa do encosto das cadeiras do ônibus. A reportagem verificou que a empresa, localizada na cidade de Marília, é do ramo de fretamento. Questionada pelo Yahoo! Notícias se o Grupo Jacto contratou o serviço para as manifestações bolsonaristas do 7 de setembro, a empresa disse que a informação é sigilosa.

A reportagem tentou conversar com Takashi Nishimura, mas o empresário não retornou às ligações até a publicação da reportagem. Em entrevista ao portal Marília Notícia, Nishimura confirmou o apoio financeiro para os manifestantes irem nos atos favoráveis ao presidente Bolsonaro em São Paulo. No entanto, ele alega que a ação não tem nenhuma ligação com o Grupo Jacto, empresa da qual é acionista e ex-presidente. “Fui eu quem fiz, eu quem aluguei os ônibus”, declarou ao site.

Segundo reportagem do UOL, em 2018 Nishimura doou R$ 30 mil para a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro. No mesmo ano, o empresário filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Nas redes sociais, parlamentares e senadores da oposição, pediram que o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Ministério Público Federal (MPF) investiguem o financiamento das manifestações bolsonaristas de 7 de setembro. “Da onde está vindo o dinheiro para patrocinar tudo isso? Quem está pagando a conta?”, disse o senador Humberto Costa (PT) em publicação no Twitter.

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