Empresa de 'faraó dos bitcoins' determinava que clientes ocultassem informações de investimentos em criptomoedas para burlar fiscalização

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A investigação contra o ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos revela que a empresa do "Faraó dos bitcoins" - GAS Consultoria - determinou que os clientes não fizessem qualquer referência a criptomoedas ao justificar para os seus bancos as transferências de valores destinados a novos investimentos. A regra foi criada após bancos terem bloqueado contas de Glaidson e da empresa, no primeiro semestre deste ano, alegando movimentações financeiras suspeitas. As informações contam na denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-garçom e outras 16 pessoas, à qual o EXTRA teve acesso.

Glaidson está preso desde 25 de agosto sob a acusação de ter montado um esquema milionário fraudulento de pirâmide financeira. Na última terça-feira, o "faraó dos bitcoins", sua mulher e sócia, a venezuelana Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, que se encontra foragida, e outras 15 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF) por crime contra o sistema financeiro nacional e organização criminosa. Todas elas viraram réus.

A GAS, afirmam investigadores, determinava que os consultores e associados orientassem os clientes sobre a proibição e a regra consta em um manual da empresa. "Informar ao cliente que no momento da transferência NÃO deverá ser mencionado descrição que faça alguma referência a Bitcoin, criptomoedas, criptos, investimentos, BTC", diz parte do texto.

A determinação para os clientes não informarem transação com criptomoedas ao realizarem as transferências para os investimentos ainda consta na ficha cadastral de cada investidor. No documento, a empresa alerta que caso essas informações sejam passadas a gerentes e funcionários das instituições financeiras, o investidor pode ter o contrato rescindido e o valor aplicado, devolvido.

Ainda no texto do documento, a empresa alega que “os bancos estão perdendo mercado na área de investimentos pois as pessoas estão conhecendo outros investimentos mais rentáveis”. Para o Ministério Público Federal, a medida foi uma tentativa da GAS Consultoria de tentar contornar o controle dos bancos, que vinham bloqueando as contas da empresa e de Glaidson.

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