Empresa de 'Faraó dos Bitcoins' vai pedir autorização à Justiça para voltar a operar

O advogado David Figueiredo, que representa a GAS Consultoria e Tecnologia Ltda. no processo de recuperação judicial da empresa, anunciou que pretende pedir à Justiça do Rio autorização para movimentar os criptoativos bloqueados judicialmente. Ele explicou que o objetivo é gerar lucros que contribuam para o ressarcimento dos credores.

A GAS foi fechada em agosto do ano passado, quando o proprietário da empresa, o ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, e seus sócios foram presos por crimes contra o sistema financeiro nacional e por organização criminosa. Eles foram acusados de manter uma pirâmide financeira disfarçada de operação com bitcoins.

A ação criminal movida contra Glaidson, o Faraó dos Bitcoins, corre na 3ª Vara Federal Criminal do Rio. A juíza Rosália Monteiro Figueira, titular da Vara, também determinou o bloqueio dos bens da organização, entre os quais R$ 400 milhões em criptomoedas e mais imóveis, veículos e jóias. A investigação constatou que, após fugir, a mulher de Glaidson, Mirellis Zepa, teria conseguido resgatar R$ 1 bilhão em bitcoins.

O processo de recuperação judicial, no entanto, corre na 5ª Vara Empresarial da capital (Justiça Estadual). Em tutela antecipada, a titular, juíza Maria da Penha Nobre, determinou a suspensão de todas as ações judiciais cíveis movidas por clientes lesados da GAS. Para decidir o destino do patrimônio apreendido, ela precisa que a Justiça Federal concorde em transferir esses valores para a Justiça Estadual.

Nomeado administrador judicial do processo de recuperação, o advogado Sérgio Zveiter disse que a GAS tem agora um prazo de 30 dias para apresentar a lista de credores, o total da dívida e os valores disponíveis para pagá-los. Ele advertiu que, se a Justiça concluir que o patrimônio da empresa foi amealhado de forma ilícita, não será possível continuar com o processo e a Justiça deverá decretar a falência da GAS.

David Figueiredo, que representa a empresa de Glaidson, disse que a documentação será apresentada dentro do prazo. A GAS, segundo ele, ganhou ainda um prazo de 60 dias para propor um cronograma de pagamento. O advogado não quis detalhar os valores disponíveis e nem soube dizer se Mirellis devolverá os valores levantados na fuga.

Enquanto os advogados da GAS levantam a relação dos credores, o Escritório Zveiter, do administrador judicial, criou uma página em seu site para a inscrição dos investidores. Até o início da tarde desta segunda-feira, 1.630 pessoas estavam inscritas. Zveiter pretende cruzar a lista com o cadastro apresentado pela empresa.

Nove meses após ser preso pela Polícia Federal por suspeita de comandar esquema milionário de lavagem de dinheiro, o ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, dono da GAS Consultoria, foi indiciado novamente pelo órgão, na última quinta-feira, pelo crime. O relatório da PF já está com o Ministério Público Federal (MPF), que analisa se aceita o indiciamento e denuncia o ‘Faraó dos Bitcoins", como é conhecido. Atualmente, o ex-pastor está preso no Complexo de Gericinó, em Bangu.

Este é o segundo indiciamento de Glaidson pela PF. Em setembro do ano passado, o ex-garçom e outras 21 pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal por participação em organização criminosa, gestão fraudulenta e violação do sistema financeiro nacional.

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