Empresa japonesa lança máscaras hiper-realistas que imitam rostos humanos

O Globo
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Reprodução / Kamenya Omote

RIO — No fenômeno televisivo “Game of thrones”, a Casa do Preto e do Branco abriga uma coleção de faces extirpadas das vítimas dos “Homens sem rosto”, facção de assassinos que servem ao Deus da morte. Com origem muito menos sombria, embora igualmente bizarras, são as máscaras hiper-realistas que imitam rostos humanos de maneira quase perfeita, vendidas por uma empresa japonesa a preços que variam entre cerca de R$ 4 mil e R$ 5 mil.

Localizada em Tóquio, a loja Kamenya Omote é especializada em máscaras artísticas, voltadas para festas e produções teatrais e cinematográficas. A ideia de imprimir rostos humanos em altíssima resolução e os colar em um molde plástico, a fim de que o usuário possa “vestir” a identidade de outra pessoa, partiu de um engenheiro gráfico e foi prontamente acolhida pelo proprietário da Omote, Shuhei Okawara — cujo rosto estampa o primeiro modelo das máscaras hiper-realistas, em pré-venda no site da loja por 78 mil ienes (R$ 3,9 mil).

Ao site Hyperallergic, Okawara revelou que já foi contatado por mais de cem pessoas interessadas em dar cara ao novo acessório desde que o projeto começou a ser divulgado, em outubro. O único detalhe que denuncia a artificialidade dos rostos produzidos por ele é o fato de os olhos e lábios da máscara não se mexerem. Hoje, cerca de 50 pessoas procuram a empresa diariamente para saberem mais sobre o objeto.

“Há muitos engenheiros no mundo que criam máscaras realistas, mas nós somos capazes de produzir em massa até cem rostos idênticos por mês”, afirma Okawara. “A maioria das pessoas que desejam nossos produtos são artistas e os usam em filmes e no teatro. Os que querem as máscaras para si próprios estão interessados nelas como uma obra de arte.”

Apesar de as máscaras, em geral, estarem em alta devido à pandemia da Covid-19 - e de já terem servido até como veículo para protestos políticos de celebridades -, o modelo hiper-realista da Omote não serve como proteção contra o vírus. No site da loja, um alerta bem-humorado descreve os riscos da utilização do acessório: “Usar uma máscara limita seu campo de visão e dificulta a respiração. Apreciem a inconveniência.”

A marca planeja lançar a primeira linha oficial de rostos humanos a partir do próximo outono. Os produtos serão mais caros que o modelo piloto inspirado em Okawara, e sairão por 98 mil ienes (R$ 4,9 mil). Ao Hyperallergic, o empresário afirmou que planeja reproduzir uma vasta gama de faces mais adiante, inclusive de pessoas de fora do Japão, mas não pretende lançar máscaras de famosos:

“Fomos procurados por produtoras e celebridades para produzir seus rostos, mas não reproduzimos faces a não ser que tenhamos a permissão da pessoa. As máscaras de celebridades podem vender bem, mas para mim são apenas negócios e eu não gosto muito disso. Seria interessante ser capaz de salvar um rosto de sua juventude, por exemplo, ou ser capaz de mudar seu rosto à vontade. Mas estou mais interessado no que acontece com o corpo das pessoas, porque o rosto e o corpo são inseparáveis”, afirma.

O empresário, que é dono de restaurantes em Tóquio e presta consultorias criativas para empresas, é direto ao ponto ao resumir o objetivo da loja de máscaras e do produto que acaba de lançar:

“Só quero me divertir e fazer coisas doidas”, conclui.