Empresa que faz segurança de supermercado onde João Alberto foi morto tem policial como sócia

Ivan Martínez-Vargas
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SÃO PAULO — O Grupo Vector, empresa terceirizada responsável pela segurança da unidade do Carrefour em que João Alberto Freitas foi espancado até a morte na noite da última quinta-feira em Porto Alegre, tem entre seus sócios-administradores ao menos uma policial militar de São Paulo, o que é vedado pela legislação paulista.

Freitas, que era negro, foi morto por dois seguranças na saída do supermercado. O caso, que tem sido visto como um ato racista, gerou revolta e protestos em todo o país.

A informação foi antecipada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo GLOBO. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que iniciou na tarde deste sábado “uma apuração rigorosa no quadro societário e de funcionários da empresa Vector Segurança Patrimonial para apurar infrações” ao estatuto do funcionalismo público estadual e ao Regulamento da Polícia Militar. A empresa tem sede na capital paulista.

“Todos os casos [de irregularidades] que forem constatados terão a abertura imediata de procedimentos administrativos”, diz o documento.

A cabo da PM Simone Aparecida Tognini aparece como sócia e administradora da Vector na ficha cadastral da empresa na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). Ela detém 5,26% do capital da empresa, e o restante pertence, de acordo com o documento, a Adelcir Geusemin.

Em nota, a Vector contradiz o documento oficial que consta na Jucesp, e afirma que seus sócios policiais são cotistas da empresa, o que é permitido por lei.

No sistema da Receita Federal, o nome de Simone Tognini também aparece no quadro societário da empresa, mas ali Geusemin aparece como administrador da Vector. A empresa tem mais de 2.000 funcionários e atua em 13 estados.