Empresa se desculpa por água no Rio e diz que situação voltará ao normal

JÚLIA BARBON

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em seu primeiro pronunciamento após a crise na qualidade da água que vem preocupando os moradores do Rio de Janeiro, o presidente da Cedae (Companhia de Águas e Esgotos do Estado) se desculpou e afirmou que a situação vai voltar ao normal muito em breve.

Há mais de dez dias, cariocas de todas as regiões da capital e de algumas cidades da Baixada Fluminense têm relatado que a água distribuída pela empresa está saindo muitas vezes turva e com gosto e cheiro de terra das torneiras, chuveiros e filtros.

"Aproveito para pedir desculpas a toda a população pelos transtornos no nosso sistema de abastecimento de água", disse Hélio Cabral na manhã desta quarta (15) em entrevista coletiva, voltando a sustentar que não há riscos para a saúde da população.

Segundo ele, já foi iniciada a compra do equipamento e do carvão ativado necessários para retirar a substância orgânica que, segundo a Cedae, tem provocado mudanças nas características do líquido. É a chamada geosmina, produzida quando há uma multiplicação acentuada de algas e bactérias na água.

"No Guandu, na semana que vem, com certeza a gente tem água saindo sem geosmina", disse ele, se referindo à estação de tratamento que abastece grande parte do Rio e onde a substância foi detectada na última sexta (10). O carvão ativado pulverizado é usado logo no início do tratamento, retendo a substância.

Ele ponderou, porém, que não é possível dizer quando a água voltará a sair das torneiras das casas sem alterações, porque os reservatórios residenciais podem continuar com a geosmina por bastante tempo, mesmo depois da solução do problema no reservatório de origem.

O gerente de controle de qualidade da água, Sérgio Marques, repetiu que, apesar de deixar a água com cheiro e gosto de terra, a substância não altera sua potabilidade. Não explicou, porém, a turbidez e a cor escura relatadas em alguns bairros. Especialistas contestam o posicionamento da Cedae e dizem que ainda é cedo para liberar o consumo sem novos testes.

Segundo o presidente da companhia, o caminhão que levará o equipamento sairá nesta quinta (16) de Jacareí, no interior de SP, e ele deverá ser instalado na semana que vem. "[A fornecedora] prometeu que semana que vem vai estar instalado, aí tem que ligar a parte elétrica, cabo de força. Não posso dizer que vai ser segunda-feira (20)", declarou.

O custo, diz ele, não será repassado ao consumidor porque é baixo em termos de investimentos: R$ 1 milhão da compra do equipamento e mais R$ 2 milhões por mês, se ele for usado 24 horas por dia. Mas a conta de água também não será reduzida por conta do problema dos últimos dias.

A Cedae afirma que a presença de geosmina é comum em estados como São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul, que utilizam há anos esse mesmo método para retirá-la. No Rio, isso já havia acontecido uma vez em 2004, mas avaliou-se que a medida não era necessária.

Questionado sobre o motivo de o equipamento não ter sido instalado antes, Hélio Cabral, que assumiu a Cedae em janeiro de 2019, respondeu: "Realmente, reconheço que se teve em 2004 tinha que ter implantado o equipamento nesse meio tempo [...] Desde 2019 estamos implantando vários investimentos, se tivéssemos diagnosticado isso no ano passado teríamos investido. Peço desculpas por não ter percebido antes".