Empresa de Trump "enganou" autoridades fiscais, diz promotora em julgamento

Imagem de arquivo: o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em comício no Texas.

Por Karen Freifeld e Luc Cohen

NOVA YORK (Reuters) - A empresa imobiliária do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump enganou as autoridades fiscais por 15 anos, disse uma promotora na segunda-feira em sua declaração de abertura no julgamento de fraude fiscal criminal das Organizações Trump, enquanto advogados de defesa disseram que o diretor financeiro de longa data da empresa estava agindo apenas em seu próprio nome.

A empresa pagou certos executivos – incluindo o diretor financeiro Allen Weisselberg – em benefícios como aluguel, e aluguel de carros sem relatar esses benefícios às autoridades fiscais, além de bônus falsamente informados como compensação para não-funcionários, disse Susan Hoffinger, promotora do escritório do promotor público de Manhattan.

O caso está entre os crescentes problemas legais enfrentados por Trump, de 76 anos, enquanto ele considera outra candidatura à presidência depois da derrota em 2020.

Weisselberg, que trabalha para Trump há quase meio século, em agosto se declarou culpado e concordou em depor como testemunha de acusação no julgamento, como parte de um acordo para que ele recebesse uma sentença de cinco meses de prisão.

Os advogados das duas unidades das Organizações Trump argumentaram que Weisselberg sonegava impostos para se beneficiar, e não para favorecer a empresa. Tanto a Trump Corporation quanto a Trump Payroll Corporation se declararam inocentes. Trump não foi acusado no caso.

"Weisselberg fez isso por Weisselberg", disse Michael Van Der Veen, advogado da Trump Payroll Corporation, em sua declaração de abertura. "A ganância o fez sonegar impostos, esconder seus atos de seu empregador e trair a confiança construída ao longo de quase 50 anos."

Hoffinger disse que Weisselberg era "um dos principais beneficiários" do esquema. Mas ela disse que ele atuou em sua capacidade oficial como executivo das Organizações Trump e que a empresa também se beneficiou ao manter os principais executivos felizes e economizar em alguns impostos.

"Todo mundo ganha aqui", disse Hoffinger. "Claro, todos, menos as autoridades fiscais. O problema de fazer isso dessa maneira é que não é legal."

Van Der Veen também procurou culpar a empresa de contabilidade Mazars, que lidava com as declarações fiscais da empresa e de Weisselberg.

A Mazars não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários. Em fevereiro, a empresa abandonou as Organizações Trump como cliente e disse que as demonstrações financeiras que preparou para a empresa de 2011 a 2020 não deveriam mais ser confiáveis.

(Reportagem de Karen Freifeld e Luc Cohen em Nova York)