Empresários bolsonaristas defendem golpe caso Lula ganhe eleição, diz site

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro protestam na Avenida Paulista (SP). 7 de Setembro de 2021 (Foto: Amauri Nehn/NurPhoto via Getty Images)
Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro protestam na Avenida Paulista (SP). 7 de Setembro de 2021 (Foto: Amauri Nehn/NurPhoto via Getty Images)

Empresários que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (PL) estão defendendo abertamente um golpe de Estado caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença as eleições de outubro. A informação foi divulgada na tarde desta quarta-feira (17) pelo jornalista Guilherme Amado, do portal Metrópoles.

O grupo de WhatsApp chamado “Empresários % Política” está sendo acompanhado há meses pela coluna.

De acordo com o jornalista, além da defesa explícita de um golpe por parte de alguns integrantes do grupo, constam também na troca de mensagens ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal), ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a quaisquer pessoas ou instituições contrárias ao atual chefe do Executivo.

Ainda segundo o jornalista do portal Metrópoles, o grupo reúne empresários de várias partes do Brasil, como:

  • Luciano Hang, dono da Havan

  • Afrânio Barreira, do Grupo Coco Bambu

  • José Isaac Peres, dono da gigante de shoppings Multiplan

  • José Koury, dono do Barra World Shopping, no Rio de Janeiro

  • Ivan Wrobel, da construtora W3 Engenharia

  • Marco Aurélio Raymundo, dono da marca de surfwear Mormaii

O apoio a um golpe para impedir a eventual posse de Lula, principal adversário de Bolsonaro e líder em todas as pesquisas eleitorais até o momento, ficou escancarado no dia 31 de julho.

Foi José Koury quem abordou o tema: ele afirmou que preferia uma ruptura à volta do PT (Partido dos Trabalhadores) ao poder.

Além disso, informou a coluna, o empresário disse ainda que se o país voltar a ser uma ditadura, ainda receberia investimentos externos.

“Prefiro golpe do que a volta do PT. Um milhão de vezes. E com certeza ninguém vai deixar de fazer negócios com o Brasil. Como fazem com várias ditaduras pelo mundo”, publicou o empresário no grupo.

A seguir, veja mais declarações feitas pelos empresários no aplicativo de mensagens:

“Quero ver se o STF tem coragem de fraudar as eleições após um desfile militar na Av. Atlântica com as tropas aplaudidas pelo público” - Ivan Wrobel

“O 7 de setembro está sendo programado para unir o povo e o Exército e ao mesmo tempo deixar claro de que lado o Exército está. Estratégia top e o palco será o Rio. A cidade ícone brasileira no exterior. Vai deixar muito claro” - Marco Aurélio Raymundo, conhecido como Morongo

"O golpe teria que ter acontecido nos primeiros dias de governo. (Em) 2019 teríamos ganhado outros 10 anos a mais”, publicou" - André Tissot

“O TSE é uma costela do Supremo, que tem 10 ministros petistas. Bolsonaro ganha nos votos, mas pode perder nas urnas. Até agora, milhões de votos anulados nas últimas eleições correm em segredo de Justiça. Não houve explicação” - José Isaac Peres

“Todo esse desserviço à democracia dos 3 ministros do TSE/STF faz somente aumentar a desconfiança de fraudes preparadas por ocasião das eleições. O Datafolha infla os números de Lula para dar respaldo ao TSE por ocasião do anúncio do resultado eleitoral” - Meyer Nigri

“Bolsonaro não leva essa eleição de forma nenhuma com essa formação de TSE e essas urnas (...) Tem que intervir antes, esquecer o TSE, montar uma comissão eleitoral (como quase todos os países do mundo fazem), votação em papel e segue o jogo! Simples assim” - Vitor Odisio

Ao portal Metrópoles, os empresários citados na reportagem deram seus posicionamentos. Confira:

José Koury afirmou que não defende um golpe, mas em seguida confirmou que “talvez preferiria” a ruptura a uma volta do PT.

Morongo, da Mormaii, que defendeu a importância simbólica de um desfile militar para mostrar de que lado as Forças Armadas estão, afirmou que não apoiará qualquer “ato ilegítimo, ilegal ou violento”. “Sem acesso ao conteúdo ou à matéria que referes, informo que não apoiei, não apoio e não apoiarei qualquer ato ilegítimo, ilegal ou violento, e destaco que uso de figuras de linguagem que não representam a conotação sugerida”, respondeu.

Meyer Nigri, da Tecnisa, disse que pode “ter repassado algum WhatsApp” que recebeu. “Isso não significa que eu falei ou concorde”, afirmou. “Já estou deixando claro que não afirmei nada disso. Só repassei um WhatsApp que recebi”.

Afrânio Barreira, do Coco Bambu, afirmou desconhecer qual seria o teor do apoio ao golpe de Estado, expressa por ele com o envio de um gif com aplausos à ideia de ruptura apresentada por Koury. “Nunca me manifestei a favor de qualquer conduta que não seja institucional e democrática. Fico surpreso com a alegação de que eu seria um apoiador de qualquer tipo de rompimento com o processo democrático, pois isso não corresponde com o meu pensamento e posicionamento”, afirmou.

A assessoria de imprensa do grupo Multiplan enviou nota em que afirma que o empresário José Isaac Péres está viajando e, por essa razão, não responderia diretamente.

Já os empresários André Tissot, Carlos Molina, Ivan Wroble, Luciano Hang e Vitor Odisio não retornaram o contato da coluna.

Veja como foram as últimas pesquisas eleitorais de 2022:

Qual a data das Eleições 2022?

O primeiro turno das eleições será realizado no dia 2 de outubro, um domingo. Já o segundo turno – caso necessário – será disputado no dia 30 de outubro, também um domingo.

Veja a ordem de escolha na urna eletrônica nas Eleições 2022

  1. Deputado federal (quatro dígitos)

  2. Deputado estadual (cinco dígitos)

  3. Senador (três dígitos)

  4. Governador (dois dígitos)

  5. Presidente da República (dois dígitos)